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Economia

Dólar vai a R$ 4,36 e bate sétimo recorde histórico só este mês

19 fev 2020 às 19:00
Por: Estadão Conteúdo

O dólar teve mais um dia de recorde histórico, a sétima máxima somente neste mês, encerrando a quarta-feira, 19, em R$ 4,3656, com valorização de 0,19%. Foi a terceira alta consecutiva e, no ano, o ganho da divisa americana se aproxima de 9%. A moeda dos Estados Unidos está se valorizando em todo o mundo e hoje o índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de moedas fortes, atingiu o maior nível em quase 3 anos, influenciado pelo melhor desempenho da economia americana que outras regiões, como a zona do euro, China e Japão. No mercado doméstico, os juros baixos e a decepção com indicadores de atividade, além de ruídos políticos, em meio a temores de saída do ministro da Economia, Paulo Guedes - após declaração de Jair Bolsonaro - ajudam a pressionar ainda mais o câmbio, fazendo o real ter pior desempenho que outros emergentes.

A busca por hedge cambial (proteção) também segue pressionando o dólar aqui. Investidores do Brasil e de outros emergentes têm aumentado a busca por proteção, seja para apostas em outras moedas, seja para cobrir posições em outros mercados, como na Bolsa, de acordo com um diretor de tesouraria.

O economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, observa que, com a queda dos juros, o real deixou de ser uma "moeda de carrego", ou seja, para operações de carry-trade (tomar dinheiro em país com juro baixo e aplicar em outro de juro alto). O banco não vê neste momento a moeda americana caindo abaixo de R$ 4,00 até o ano que vem. A estimativa é de dólar em R$ 4,15 tanto em dezembro de 2020 como em 2021.

A expectativa do Itaú é que com a retomada do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil atraia fluxo de capital externo, compensando ao menos em parte o baixo diferencial de juros do país com o resto do mundo, avalia a economista do Itaú, Julia Gottlieb. Ela observa que, no curto prazo, o cenário internacional tem pressionado o câmbio, por conta da aversão ao risco gerada pelo coronavírus. A decepção com os recentes dados de atividade também pesou, além dos juros baixos, disse ela. "Com a retomada de crescimento devemos ver um fluxo de capital maior para o Brasil." O Itaú manteve hoje a projeção de alta do PIB em 2,2% este ano e 3% em 2021.

A disparada do dólar também foi comentada hoje em evento pelo banqueiro sócio do BTG Pactual, André Esteves. "O dólar nesse nível tem surpreendido de certa maneira a todos nós." O executivo ressaltou que os juros baixos fizeram o real deixar de ser "moeda de carrego" para se transformar em "moeda de financiamento". "Estamos nos adaptando a esta mudança." A diferença da desvalorização do real de agora para outros momentos da história, disse Esteves, é que a Bolsa está subindo e o risco-país, medido pelo Credit Default Swap (CDS) de cinco anos não para da de cair, hoje negociado em 92,3 pontos, na mínima em mais de 10 anos.

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O Banco Central não fez atuação extraordinária hoje no câmbio, somente a operação diária de rolagem dos contratos de swap. Para os estrategistas do Citi, as declarações recentes do comando do BC sugerem que não é óbvia a intervenção da instituição no mercado de câmbio se o dólar voltar a superar o nível R$ 4,38. A última intervenção extraordinária ocorreu no último dia 6, quando a divisa bateu neste nível e hoje a moeda americana voltou a encostar neste patamar, a R$ 4,3775 na máxima.

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