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Economia

Ibovespa tem pregão de volatilidade, mas fecha em alta de 0,88%

27 ago 2019 às 18:30
Por: Estadão Conteúdo

Depois de três pregões consecutivos de queda, com os quais perdeu 4,72%, o Índice Bovespa teve uma sessão de recuperação, mas também de volatilidade, nesta terça-feira. O índice terminou o dia com ganho de 0,88%, aos 97.276,19 pontos, depois de ter alternado altas e baixas, oscilando em um intervalo extenso, de 2.096 pontos. Os negócios somaram R$ 20 bilhões.

As preocupações com o ritmo da economia global continuaram no radar em todo o mundo e teve como destaque a nova inversão das taxas de rendimento dos títulos do Tesouro americano, num possível indicativo de recessão futura nos Estados Unidos. No câmbio, a chegada do dólar aos R$ 4,19 e o leilão extraordinário do Banco Central foram o grande destaque da tarde, também com influência no mercado de ações, ainda que pontual.

Para reforçar o clima cautela, os ruídos no ambiente político também continuaram a gerar mal estar entre investidores, que temem prejuízos econômicos em consequência da repercussão das queimadas na Amazônia e as trocas de farpas entre o presidente Jair Bolsonaro e seu colega francês, Emmanuel Macron. Ainda no rol das preocupações esteve a figura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), envolvido em denúncia de irregularidade em doações de campanha.

A alta do Ibovespa foi na contramão das bolsas americanas, que iniciaram o dia em alta, mas fecharam em terreno negativo. Os papéis do setor de commodities, que estão entre os mais castigados pelo temor de desaceleração da economia global, foram destaque de alta. Com o petróleo em valorização significativa, as ações da Petrobras tiveram ganhos de 1,89% (ON) e 1,59% (PN). Vale ON também se recuperou (+1,21%), mesmo com a baixa do minério de ferro no mercado chinês. O setor financeiro não teve sinal uniforme, mas prevaleceu a recuperação. Itaú Unibanco PN subiu 1,18% e Bradesco PN avançou 1,26%.

Para Alvaro Bandeira, economista da Modalmais, os mais de R$ 11 bilhões em recursos externos que saíram da B3 até a última sexta-feira (23) chamam a atenção, mas são um sintoma da aversão ao risco dos países emergentes em geral, entre os quais o Brasil é o mais líquido - e por isso o mais afetado. Mas ele admite que há questões domésticas que agravam o receio do investidor com o país. Em sua avaliação, as notícias sobre desmatamento e seus desdobramentos políticos geram temor de restrições a empresas exportadoras brasileiras.

"Para uma recuperação dos mercados, é necessário que os ânimos se acalmem. E para isso, é necessário que haja avanços nas relações comerciais envolvendo os Estados Unidos. No Brasil, é preciso que as reformas voltem a avançar e os ruídos envolvendo o presidente Jair Bolsonaro terminem", afirma.

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