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Juros em alta com receio fiscal, aversão ao risco exterior e avanço do dólar

24 jun 2020 às 17:54
Por: Estadão Conteúdo

A aversão ao risco que assolou os mercados puxou para cima os juros futuros, com mais força na ponta longa, mais sensível aos eventos externos, penalizados ainda pela disparada do dólar novamente acima dos R$ 5,30. Internamente, embora sem fatos novos nesta quarta-feira, 24, o desconforto com a questão fiscal vem crescendo e também ajudando a adicionar prêmio nos vencimentos longos. Por isso, o mercado aguarda com grande expectativa a votação no Senado do marco legal do Saneamento, marcada para hoje, que poderá trazer recursos de estrangeiros para o País e, assim, aliviar a pressão nas contas públicas. Os juros curtos subiram a reboque do estresse generalizado, mas de forma bem mais comedida.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 3,07%, de 3,012% ontem no ajuste. A do DI para janeiro de 2025 subiu de 5,813% para 5,94% e a do DI para janeiro de 2027, de 6,803% para 6,93%.

As taxas já estavam em alta pela manhã, acompanhando os ativos internacionais, por sua vez pressionados pelos números crescentes de casos de coronavírus nos Estados Unidos, retaliações comerciais do país à Europa e previsões pessimistas do Fundo Monetário Internacional (FMI). A instituição elevou a estimativa de retração da economia global de -3% para -4,9% em 2020 e também a do Brasil, que saltou de -5,3% para -9,1%.

"Tivemos o exterior 'pegando' e contaminação do pré via câmbio e, ainda, receios com a parte fiscal", contou um gestor. Segundo ele, não houve novidades no noticiário sobre o assunto. "Mas diria que a cada dia que não endereçamos a questão, ela vai sozinha se deteriorando", disse.

Nesta tarde, o Instituto Internacional de Finanças (IIF) afirmou que o espaço fiscal dos emergentes para combater a pandemia está se esgotando, com respostas desiguais entre os países do grupo, obrigando muitos deles a adotarem políticas de relaxamento quantitativo. Nas mesas de renda fixa, acredita-se justamente que a expectativa com a "operação twist" do Banco Central brasileiro tem controlado o 'steepening' da curva e, por isso, as taxas não têm acompanhando o avanço do dólar na mesma magnitude.

Um fator que pode trazer alento ao mercado é a votação do marco legal do Saneamento. A proposta é vista como atrativa para a entrada da iniciativa privada no setor e uma das ferramentas para a recuperação da economia após a pandemia de covid-19. "Será um bom termômetro para avaliar como está a disposição do Congresso", disse o gestor citado mais acima.

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