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Juros fecham em baixa com exterior; curva perde inclinação no mês

30 jun 2020 às 18:05
Por: Estadão Conteúdo

Os juros de médio e longo prazos fecharam o dia em queda, dando sequência ao movimento já registrado ontem e mesmo em meio à elevada volatilidade do câmbio nesta terça-feira, 30. O ambiente externo mais tranquilo e a ausência de notícias ruins no cenário político alimentaram o apetite pelo risco prefixado.

As taxas curtas, mais uma vez, oscilaram marginalmente, num dia também sem vetores capazes de alterar o quadro de apostas para a Selic. Os dados econômicos, Pnad Contínua e resultado do setor público consolidado, foram apenas monitorados.

No balanço do mês, houve leve perda de inclinação na curva, diante da sinalização de liquidez abundante por parte dos governos para combater os efeitos do coronavírus na economia global e apesar do aumento dos riscos para a governabilidade do presidente Jair Bolsonaro.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou na mínima de 2,92%, de 2,952% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 5,680%, de 5,763% ontem no ajuste, e o DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 6,61%, de 6,733%.

A curva já perdia inclinação pela manhã, mas as mínimas foram atingidas à tarde, quando o dólar teve algum alívio, chegando a operar em queda momentaneamente após a atuação do Banco Central com leilão de moeda à vista e passada a disputa pela formação da Ptax. Cassio Andrade Xavier, trader da Sicredi Asset, vê o movimento da ponta longa desde ontem atrelado aos mercados mais calmos no exterior e também na medida em que o cenário político aqui segue em banho-maria, após rumores de que Fabrício Queiroz estaria negociando delação premiada. "A curva longa tem reagido a esta melhora frágil do quadro político e também à postura dos governos e bancos centrais de que vão resolver os problemas por mais que a atividade esteja ruim", disse.

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No Brasil, o mercado recebeu bem a confirmação da prorrogação do pagamento do auxílio-emergencial por mais dois meses, diante da percepção de que tal medida tem sido importante para estancar perdas ainda maiores da atividade em razão do isolamento social causado pela pandemia e também porque a sinalização toda da equipe econômica é que se trata de algo temporário e que, passada a crise, o aperto fiscal retornará.

O pagamento extra, no entanto, será escalonado. "Todos sabem que se gastar gasolina demais, o tanque acaba mais rápido. Programas que poderiam se estender por mais tempo, acabam pressionando fiscalmente e você então tem que ceder. Ao invés de colocar R$ 600, de repente tem que colocar um número mais baixo para poder alongar mais. Se quer cobrir três ou quatro meses, precisa pagar um valor menor, senão o País estoura", afirmou.

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