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Economia

Juros sobem com realização e cena política, após Bolsonaro relatar ter covid-19

07 jul 2020 às 17:50
Por: Estadão Conteúdo

Os juros longos passaram por uma realização parcial de lucros e fecharam a terça-feira em alta, estimulada por algum desconforto com o noticiário político que teve como destaque a informação do presidente Jair Bolsonaro de que ele está com covid-19. O exterior, que vinha sendo protagonista no movimento da curva nos últimos dias, hoje teve papel mais secundário. As taxas intermediárias subiram menos do que as longas, e as de curto prazo encerraram de lado.

O quadro de apostas para a Selic segue pendendo mais para a possibilidade de manutenção da taxa no Copom de agosto, com base na melhora nos indicadores de atividade, sinais de normalização da inflação e a leitura e que a equipe econômica e o Banco Central estão mais otimistas com a economia.

Nesta terça-feira, a curva indicava 70% de chance de manutenção da taxa básica em 2,25% no Copom de agosto, e 30% de probabilidade de corte de 0,25 ponto porcentual, segundo o Haitong Banco de Investimentos.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passou de 2,090% para 2,095% e a do DI para janeiro de 2022 subiu de 2,902% para 2,95%. O DI para janeiro de 2025 fechou com taxa de 5,630%, de 5,523% ontem no ajuste, e o DI para janeiro de 2027 encerrou a 6,510%, de 6,383%.

No fechamento da sessão regular, as taxas longas tinham alta de mais de 10 pontos-base, recolocando pouco do prêmio que tinha sido devolvido desde a semana passada. "A ponta longa tem espaço para ajuste", disse o estrategista de Mercados da Harrison Investimentos, Renan Sujii.

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O quadro político tinha dado uma trégua, mas hoje voltou a incomodar. Após Bolsonaro ter revelado que está com covid, no fim da manhã, as taxas foram às máximas. "Além de alguma preocupação com o estado de saúde do presidente, há receios em relação a consequências políticas para ele", disse o gerente da Mesa de Reais da CM Capital Markets, Jefferson Lima.

Para Sujii, o principal risco no radar é a saúde do presidente, que tem 65 anos. "O mercado vai ficar monitorando os sintomas até que passem os 14 dias", disse Sujii. O presidente disse estar bem, mas cancelou sua agenda na semana e ficará despachando do Alvorada, com reuniões por videoconferência.

Outros pequenos ruídos políticos do dia também trouxeram desconforto, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, marcando posição contra aumento de impostos e sendo pessimista sobre as privatizações, na contramão do que defende Paulo Guedes. O mercado também não gostou da movimentação do Congresso contra cobrança de juros no cheque especial e cartão de crédito. "São dois produtos que distorcem o sistema financeiro brasileiro", disse Maia, em "live" da Genial Investimentos.

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