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Mercosul e União Europeia firmam acordo comercial após 25 anos de negociações

Ao todo, o acordo envolve nações que somam mais de 750 milhões de pessoas
06 dez 2024 às 15:37
Por:
Ricardo Stuckert/PR

Em coletiva de imprensa em Montevidéu, no Uruguai, os chefes de Estado do Mercosul e a representante da União Europeia (UE) anunciaram, nesta sexta-feira (6), que foi firmado o acordo de livre comércio para redução das tarifas de exportação entre os países que compõe esses mercados. As negociações se arrastavam há 25 anos.


O acordo foi anunciado em coletiva de imprensa em Montevidéu, no Uruguai, onde ocorre a 65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul.


Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; do presidente argentino, Javier Milei; do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou; e do Paraguai, Santiago Peña, foi anunciado que as negociações foram concluídas para regras de livre comércio entre os países dos blocos. Ao todo, o acordo envolve nações que somam mais de 750 milhões de pessoas.


A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que a medida marca o início de uma nova história. “Agora estou ansiosa para discutir isso com os países da UE. Este acordo funcionará para pessoas e empresas. Mais empregos. Mais escolhas. Prosperidade compartilhada”. 


Ursula von der Leyen, classificou o acordo como positivo para a economia da região e ressaltou que serão economizados 4 bilhões de euros em taxas de exportação. 

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Assinatura do acordo 


Apesar do acordo firmado, não houve a assinatura do pacto, que será realizada após os textos negociados passarem por revisão jurídica e forem traduzidos para os idiomas oficiais dos países. Não há prazo para isso acontecer, já que depende da aprovação do Poder Legislativo de cada país do Mercosul e do Conselho e do Parlamento Europeu.


“Após a assinatura entre as partes, o Acordo será submetido aos procedimentos de cada parte para aprovação interna – no caso do Brasil, o Acordo será submetido à aprovação pelo Poder Legislativo. Uma vez aprovado internamente, o Acordo pode ser ratificado por cada uma das partes, etapa que permite a entrada em vigor do Acordo”, informou o governo brasileiro.


Entre as principais barreiras enfrentadas para a assinatura do pacto, estão as resistências de agricultores dos países europeus, principalmente, os da França. O protecionismo histórico do bloco é somado ao receio da categoria de sofrer com uma forte concorrência dos preços de produtos do Mercosul.


Oportunidade


O presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou, anfitrião do encontro que anunciou o fim das negociações, lembrou que o acordo foi possível apesar das diferenças políticas entre os países do Mercosul. Para o mandatário uruguaio, é uma oportunidade.


“Um acordo desse tipo não é uma solução. Não há mais soluções mágicas. Não há burocratas ou governos para firmar a propriedade. É uma oportunidade. É muito importante que os passos sejam pequenos, mas seguros”, disse Lacalle Pou.


A presidente da UE lembrou dos laços históricos entre os dois continentes e que o acordo é uma "necessidade política" em um mundo cada vez mais fragmentado e convulsionado. 


Ursula von der Leyen disse ainda que está consciente da oposição de agricultores europeus, especialmente os franceses, preocupados que uma invasão de produtos do Mercosul lhes tomem mercado, “Este acordo inclui salvaguardas robustas para protegê-los”, comentou.


Segundo ela, o acordo deve beneficiar cerca de 60 mil empresas que exportam para os países do Mercosul, com uma economia de 4 bilhões de euros. “Se beneficiam de tarifas reduzidas, processos aduaneiros mais simples e também de acesso preferencial a algumas matérias-primas essenciais. Isso trará grandes oportunidades de negócios”.


Meio Ambiente


Para a representante europeia, o acordo firmado entre os blocos vai permitir que os investimentos feitos respeitem o meio ambiente.


“O acordo entre o Mercosul e a União Europeia é este primeiro passo para o acordo de Paris e para poder combater o desmatamento. O Presidente Lula e seus esforços para proteger a Amazônia são bem-vindos e necessários, mas preservar a Amazônia é uma responsabilidade compartilhada de toda a humanidade”, completou.

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