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Passagens aéreas sobem após alta de 54% no querosene de aviação

Reajuste da Petrobras impacta custos das companhias e preços ao consumidor; governo estuda zerar impostos federais sobre o combustível para conter altas
04 abr 2026 às 10:39
Por: Band
Foto: Divulgação

O setor aéreo brasileiro enfrenta uma forte pressão inflacionária após o anúncio de um reajuste escalonado de até 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV) pela Petrobras. O impacto já é sentido na ponta final, com passagens aéreas registrando altas significativas em curto espaço de tempo. O combustível representa quase metade dos custos operacionais das companhias, o que torna o repasse aos bilhetes praticamente inevitável.


Monitoramentos de preços em plataformas de viagem confirmam a tendência de alta. Um voo apenas de ida entre Porto Alegre e São Paulo, para o mês de agosto, saltou de R$ 238 no dia 31 de março para R$ 358 já no dia 1º de abril — um aumento superior a 50% em 24 horas. Para passageiros como a bancária Edinéia Góes, a diferença é ainda mais drástica: um bilhete para Maceió comprado em novembro por R$ 800 custaria hoje, em simulação atual, cerca de R$ 2.200.


Planejamento e reprogramação de viagens

Diante da instabilidade nos preços, o setor de agências de viagens orienta que o planejamento com maior antecedência tornou-se a ferramenta mais eficaz para o consumidor. Segundo Fábio Antonuncio, dono de agência, muitos clientes já estão reprogramando roteiros e datas para tentar mitigar o aumento dos custos. A dúvida entre comprar agora ou esperar tem sido resolvida pela antecipação, dado que não há previsão de recuo nos preços a curto prazo.

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Para o empresário Paulo Freitas, que adquiriu passagens para Manaus em janeiro, a antecedência foi o que garantiu a viabilidade da viagem em família. Ele afirma que, com os valores praticados atualmente, não teria condições financeiras de realizar o mesmo trajeto.


Medidas governamentais e cenário internacional

Para tentar conter a escalada dos preços, o governo federal pretende anunciar, na próxima semana, a isenção da cobrança de PIS-Cofins sobre o querosene de aviação. A medida, no entanto, deve ter caráter temporário, com prazo limitado de até três meses.


O cenário é de alerta para toda a cadeia produtiva. Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, ressalta que a alta é prejudicial tanto para o consumidor quanto para as empresas. Segundo a sua análise, caso conflitos internacionais — como a guerra na Ucrânia — se prolonguem, o setor pode reviver dificuldades enfrentadas durante a pandemia de Covid-19, como a desativação de rotas e a redução drástica no volume de passageiros devido ao encarecimento do serviço.

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