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Economia

Se Bolsonaro falar menos sobre reforma até aprovação, ajudará bastante, diz Ramos

26 abr 2019 às 12:45
Por: Estadão Conteúdo

As sinalizações mistas do governo federal sobre a reforma da Previdência, que já teve o próprio presidente Bolsonaro "desidratando" a proposta de antemão, não ajudam a garantir uma economia relevante com a reforma, avalia o presidente da Comissão Especial da Reforma na Câmara, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), em entrevista à Rádio Eldorado.

"Cada vez que Bolsonaro fala sobre a reforma, ele retira alguma coisa", disse Ramos, lembrando que no mesmo dia em que o Ministério da Economia apresentou um novo cálculo sobre o impacto fiscal da proposta, passando de R$ 1 trilhão para R$ 1,14 trilhão de economia em dez anos, o próprio chefe de Estado brasileiro reconheceu que a proposta pode ser desidratada e a economia pode ficar em torno de R$ 800 bilhões. "Isso não ajuda em nada, vai contra o trabalho da própria equipe econômica."

Para Ramos, com exceção do Ministério da Economia, que "tem uma visão clara de projetos e propostas para o Brasil", o governo federal não tem planos concretos.

"Se Bolsonaro falar menos sobre a reforma até ela ser aprovada, vai ajudar bastante", comentou o deputado.

Favorável à reforma, mas com 'alguns ajustes'

Ramos diz ter consciência da necessidade de reformar o sistema previdenciário brasileiro. Ele vê, porém, "alguns ajustes" como necessários na proposta apresentada pelo governo.

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"Não podemos fazer um ajuste fiscal exigindo este sacrifício do trabalhador rural, dos mais pobres que recebem o BPC", disse Ramos. "Da mesma maneira, não me parece correto com os professores deste País a mudança abrupta que está sendo colocada. É preciso calibrar melhor as regras de transição deste grupo."

O presidente da Comissão Especial ainda afirmou que pretende aprofundar o debate sobre a proposta de mudança de regime, da repartição para a capitalização. "É um tema que não está claro nem aos deputados e nem à população brasileira", declarou.

Outro ponto na reforma criticado por Ramos é a reforma da Previdência nos Estados. "Os governadores têm que assumir a sua parcela de responsabilidade. É delicado impor a reforma aos Estados se os entes federados estão em situações muito diferentes entre si", disse. "A reforma não pode ter aplicação imediata sobre os regimes próprios dos servidores estaduais."

E acrescentou: "A reforma da Previdência dos Estados tem que ser feita pelos Estados."

Ao longo da entrevista, Ramos ressaltou que tais posições eram pessoais e não vão interferir na condução de seu trabalho na Comissão Especial. "Esta posição sobre a reforma dos Estados, repito, é pessoal. Todos sabem que sou favorável e entendo a reforma da Previdência como necessária."

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