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Setor de supermercados critica proposta do fim da escala 6x1

Associação Paulista de Supermercados alerta para dificuldades na contratação e aumento de custos com mudanças na jornada
31 ago 2026 às 12:56
Por: Band
Valter Campanato/Agência Brasil

A proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 tem gerado preocupação entre representantes dos setores de comércio e supermercados. A principal crítica é em relação à possibilidade de uma jornada mais rígida, que, segundo o segmento, pode dificultar a organização das escalas e as contratações.


Em entrevista à BandNews TV, o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Erlon Ortega, afirmou que um modelo de jornada reduzida sem alternativas de flexibilidade pode trazer dificuldades para o funcionamento das lojas.


Atualmente, o setor enfrenta um déficit de 35.001 trabalhadores no estado de São Paulo. Segundo Ortega, a falta de mão de obra pode se agravar caso novas regras mais restritivas sejam adotadas.


Pequenos supermercados seriam os mais afetados


Os pequenos e médios supermercados estão entre os mais preocupados com possíveis mudanças. Das cerca de 27 mil lojas espalhadas pelo estado de São Paulo, a maioria é formada por estabelecimentos de menor porte.


Enquanto grandes redes teriam mais estrutura para absorver alterações nas regras trabalhistas, pequenos empresários poderiam enfrentar dificuldades para manter as operações.

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Entre os possíveis impactos estão a redução do horário de funcionamento e até o fechamento de algumas unidades, cenário que poderia favorecer uma maior concentração do mercado nas grandes redes.


Setor defende jornadas mais flexíveis


A discussão envolve a possibilidade de conciliar a redução da jornada de trabalho com modelos mais flexíveis, capazes de atender às necessidades de diferentes setores e perfis de trabalhadores.


Representantes do setor defendem alternativas como a contratação por hora e a possibilidade de escolha de jornadas de acordo com as necessidades de empresas e funcionários.


A avaliação é de que medidas de aumento de eficiência e produtividade deveriam ser consideradas antes de uma redução mais ampla das horas trabalhadas.


Outro ponto levantado é o possível impacto sobre os preços ao consumidor. Segundo os representantes do setor, o aumento dos custos operacionais poderia ser repassado para os produtos e contribuir para o encarecimento do custo de vida.


Risco de aumento da informalidade


Os críticos da proposta também apontam que uma limitação maior das horas trabalhadas poderia levar parte dos trabalhadores a buscar renda complementar na informalidade, por meio de trabalhos extras ou os chamados "bicos".


A defesa do setor é por modelos considerados mais modernos e flexíveis, que possam atender tanto aos jovens que buscam maior flexibilidade quanto aos trabalhadores com 50 anos ou mais.


A discussão sobre o fim da escala 6x1 envolve, de um lado, a busca por melhores condições de trabalho e, de outro, os impactos que uma mudança na jornada pode provocar sobre empresas, trabalhadores e consumidores.

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