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STJ admite revisão do cálculo da aposentadoria

12 dez 2019 às 07:10
Por: Estadão Conteúdo

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou na quarta-feira, 11, que avalia recorrer da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que permite a segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pedir a chamada "revisão da vida toda" de seu benefício. Por essa decisão, quem se aposentou a partir de 1999 poderia solicitar um novo cálculo do valor com todas as remunerações recebidas, inclusive as anteriores a julho de 1994, hoje excluídas da base de cálculo.

A ação chegou ao STJ em 2015 e foi julgada na quarta-feira pela Corte. Procurado, o STJ ainda não respondeu com informações sobre a decisão.

A AGU, por sua vez, informou que a posição do governo é pela "constitucionalidade e higidez" da Lei 9.876/99, que trata do cálculo dos benefícios do INSS. Ainda cabe recurso ao Supremo, "o que será avaliado", informou o órgão jurídico.

Segundo a AGU, o INSS possui estudos sobre eventuais impactos de uma decisão que permita a inclusão das remunerações anteriores a julho de 1994 no cálculo do benefício. "Contudo, diante do cenário atual, será avaliada a necessidade ou não de atualização", disse. O órgão não detalhou as cifras envolvidas.

Pelas regras vigentes, o cálculo dos benefícios do INSS levam em conta apenas as remunerações em reais, recebidas a partir de julho de 1994. Salários anteriores eram recebidos em outras moedas e, portanto, excluídos da base de cálculo.

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Os segurados entendem que essa regra acabou sendo prejudicial em alguns casos. "Muitas pessoas tiveram as maiores contribuições antes de julho de 1994 e isso ocasionou um enorme prejuízo. Com a decisão do STJ, os processos que estavam parados poderão voltar a ser analisados.

"Há pelo menos 1.927 ações com esse tipo de pedido, mas o número deve ser maior, já que a maioria dos tribunais e das varas federais não informa o total de casos paralisados sobre o tema", afirma o advogado João Badari, especialista em Direito Previdenciário e sócio do Aith, Badari e Luchin Advogados.

Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo/Broadcast, há no governo a percepção de que, caso a revisão fosse para todos, alguns segurados poderiam ver o valor de seu benefício diminuir, principalmente se os salários da época eram baixos. No entanto, caso a decisão pretenda beneficiar apenas aqueles que pedirem a revisão, o impacto para as contas públicas poderia ser bilionário.

A intenção do governo é rediscutir o tema no STF, onde já há um recurso extraordinário admitido com repercussão geral - ou seja, a tese firmada pelos ministros nessa ação valerá em todo o território nacional.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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