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Bailarinas da Cidade de Deus serão bolsistas nos Estados Unidos

18 fev 2023 às 14:55
Por: Agência Brasil
Foto: Marcos Queiroz/Divulgaçāo

Quatro bailarinas da Academia de Dança Valéria Martins, localizada na Cidade de Deus, zona oeste do Rio, ganharam bolsas de estudos nos Estados Unidos, nas companhias Ajkun Ballet Theatre, em Nova Iork, e Albano Ballet Company, em Connecticut, para onde viajam nos próximos meses.


As bailarinas Luana Amara, de 19 anos, Kemilly Nascimento, de 16, e Giovanna Mendes, de 13, viajam no dia 6 de março e terão bolsas na Ajkun Ballet Theatre. Já a amiga Ana Alice Galvão, de 17 anos, vai em junho para a Escola Albano Ballet Company, em Hartford, que fica a duas horas de Nova York.



Os alunos da academia criaram uma vaquinha virtual, no valor de R$ 50 mil, para pagar tanto as passagens quanto o aluguel da república onde vão ficar nos Estados Unidos. Quem quiser pode colaborar com a vaquinha no Instagram da Academia de Dança Valéria Martins ou no vaquinhaonline.com.br.


Terceira vez


Esta é a terceira vez que a Academia de Dança Valéria Martins consegue levar alunos para academias americanas. O primeiro contemplado foi Daniel Coelho, no final de 2019 mas, por causa da pandemia da covid-19, só pôde viajar em 2022. Ele tinha perspectiva de ficar apenas um mês com bolsa, mas já está há um ano naquele país. Daniel, que está de férias no Brasil, volta no fim de março para os Estados Unidos e aguarda para junho o resultado de audições que fez antes de vir para a casa da família.

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Ele disse à Agência Brasil que a experiência na academia norte-americana foi “incrível” até por ser algo considerado impossível em sua comunidade. “Dou graças a Deus por isso ter acontecido. Posso dizer que foi uma experiência sem igual, porque são coisas que não imaginamos que aconteçam conosco. Amadureci com isso. Hoje sou um novo homem, um novo bailarino, não só pela técnica, mas mentalmente, emocionalmente, fisicamente.”


No ano passado, a oportunidade foi de Gabrielle Bezerra, que voltou ao Brasil neste ano por causa da morte da avó, que a criou, mas pretende voltar, e de Ana Caroline Baptista, que ainda está nos Estados Unidos.


Tradição


A Academia de Dança Valéria Martins existe desde 2013 e ensina balé, jazz, sapateado e hip hop para crianças e adolescentes. O espaço atende atualmente mais de 200 pessoas e funciona com caráter social, cobrando mensalidades de R$ 20 a R$ 90 das alunas, de acordo com a possibilidade financeira de cada família. As alunas que representam o Brasil nos Estados Unidos cumprem um regime diário de treino de 14h às 22h, com folga aos sábados e domingos. No local, elas já são exemplo e atuam como professoras das alunas mais novas. Para Valéria Martins, proprietária da academia, onde dá aulas há 20 anos, o esforço delas agora está sendo recompensado.


Perguntada se já estava virando tradição da academia exportar bailarinos para os Estados Unidos, Valéria riu. “Tomara que vire tradição”. Valéria considera a experiência algo transformador para os alunos. “Marca a vida deles para sempre, a mente muda, a família muda e começa a acreditar. É um poder de transformação que você não tem ideia.”


Bailarina de formação, Valéria sabe que há muita escola boa no Rio de Janeiro, mas, quando um de seus alunos se destaca, diz que isso mostra a importância de investir ali, apesar da pouca infraestrutura. “Às vezes, [é] uma sala sem barras e, mesmo assim, eles se destacam. Imagino se tivermos um baita investimento.”


Apoio


Para enfrentar o desafio que é ir para outro país, com idioma diferente, as bailarinas estão recebendo apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. Na última terça-feira (14), as meninas tiveram oportunidade de conhecer a bailarina Ana Botafogo, no Theatro Municipal do Rio.

Referência no balé clássico, Ana Botafogo levou as meninas para conhecer o teatro. As jovens passaram pelo Salão Assyrio, pela Varanda das Bailarinas, pelo foyer (salão onde os espectadores podem aguardar o início da sessão e permanecer nos intervalos) e pelo salão de espetáculos. Ali, inclusive, as meninas chegaram a ensaiar alguns passos.


Segundo Ana Botafogo, o encontro servirá de estímulo para um momento novo na vida de cada uma delas. “Conversando com elas, pude contar como foi viajar pela primeira vez para fora do país e dançar em uma companhia profissional. O que a secretaria está promovendo e proporcionando é muito importante, garantindo mais subsídios culturais para que elas possam sair daqui conhecendo o teatro mais tradicional do Brasil, a sua história, e vendo como é a vida do bailarino. Meu conselho é ter disciplina, muita garra, vontade de vencer e que não percam um segundo sequer da experiência."


"Pisar no palco do Theatro Municipal me trouxe memórias de tudo que já aconteceu na minha vida, desde a falta de incentivo no início até o momento em que estou agora, passando por todas as lutas que enfrentei. Vai ser minha primeira vez viajando de avião. Estou com muito medo, mas quero agarrar essa oportunidade com todas as minhas forças e não desperdiçá-la. Meu sonho é voltar aqui no futuro como bailarina do Municipal", disse Kemilly Nascimento.


Passeios culturais


Além do encontro com Ana Botafogo, o conjunto de ações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio inclui passeios turísticos com as jovens bailarinas, por meio do Passaporte Cultural, e aulas básicas de inglês e de familiarização com a cultura americana, por meio da Assessoria de Relações Internacionais. Elas foram levadas ainda para conhecer o parque Ártico Neve e Gelo Rio de Janeiro, onde tiveram a primeira experiência com temperaturas abaixo de zero, algo comum no estado americano em que vão morar.


A secretária Danielle Barros ressaltou que o principal objetivo da atividade foi preparar as meninas para essa experiência e promover uma imersão na cultura e nas belezas fluminenses, “já que vão representar o Rio no exterior". O governador Cláudio Castro, por sua vez, destacou que “a arte não tem fronteiras. Ela abre caminhos para muitos jovens e é um privilégio colocar o governo do estado à disposição para contribuir na transformação da vida dessas quatro meninas da Cidade de Deus."

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