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Reação ao racismo contra jogadores negros na Copa vai além do futebol

Ações fortalecem combate à discriminação racial
14 jul 2026 às 10:38
Por: Agência Brasil
Mullan/Getty Images

Vídeos nas redes sociais mostram a seleção francesa de futebol treinando em clima de descontração antes de enfrentar a Espanha, em uma das semifinais da Copa do Mundo 2026. A disputa ocorrerá nesta terça-feira (14), nos Estados Unidos, e definirá um dos finalistas do mundial.


Fora de campo, entretanto, jogadores e autoridades dos dois países se unem com seriedade para repudiar declarações racistas contra "Les Blues", apelido da seleção francesa de futebol.


O time e jogadores têm sido alvo de comentários discriminatórios ao longo do torneio. No domingo (11), veio à tona artigo do ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, no poder entre 2011 e 2018, afirmando que a França tem um "plantel de altíssimo nível", mas sem franceses. Ele fazia referência depreciativa à presença de jogadores descendentes de imigrantes, oriundos, principalmente, de antigas colônias na África, o que reflete a diversidade étnica da sociedade francesa.


O comentário de Rajoy foi rebatido tanto por jogadores espanhóis, como Pau Cubarsí e Borja Iglesias, quanto pelo atual primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Em sua conta em rede social, Sanchéz disse que a afirmação do antecessor era uma vergonha e declarou: "que vença o melhor e que perca o racismo".


O diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, organização da sociedade civil brasileira, Marcelo Carvalho, disse que os comentários refletem o pensamento de grupos sociais alinhados à extrema-direita.

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"O momento político do Brasil e do mundo, com ascensão da extrema-direita, faz com que as pessoas se sintam mais confiantes para expressar o racismo", avaliou Carvalho, que também acredita que a sensação de anonimato das pessoas na internet contribui para os ataques. "Elas acreditam que não serão encontradas".


Aumento de ataques racistas

Durante esta Copa, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) revelou ter identificado aumento expressivo de ataques racistas. Na primeira fase, foram 89 mil publicações abusivas nas redes, número 13 vezes maior do que na Copa de 2022, sendo 11% de caráter racial, mais do que o identificado na Copa de 2022.


Acompanhando os casos no torneio, Carvalho ressalta que a própria Fifa tem adotado medidas para controlar os atos. Desde o início da competição, lembra o especialista, dois jogadores ─ um do Paraguai e outro do Equador ─ foram expulsos graças ao Protocolo Vini Jr. de combate ao racismo. Eles taparam a boca com as mãos ao discutirem dentro de campo, o que foi proibido para impedir a ocultação de provas.

"Antes, era a palavra de um contra a de outro, e a vítima saía prejudicada", disse.


Agora, além do apoio dos jogadores, há o das federações e de autoridades, o que, na visão do especialista, "é um movimento que transforma tanto o futebol como a sociedade".


Antes de Rajoy atacar a seleção francesa de futebol, a senadora paraguaia Celeste Amarilla dirigiu pesados insultos racistas a Mbappé, logo após a derrota do Paraguai para o time europeu.


Ela foi rebatida pelo próprio Mbappé, que disse que a política é indigna da posição de representante dos paraguaios no parlamento. O jogador recebeu apoio tanto da Federação Francesa de Futebol quanto das autoridades de seu país.


"As declarações racistas feitas pela senadora paraguaia Celeste Amarilla contra Kylian Mbappé são absolutamente desprezíveis e inaceitáveis", disse a federação, que acionou a Procuradoria francesa.

O órgão abriu um inquérito por injúria agravada e incitação ao ódio e à violência. "Como alguém pode proferir tais palavras? Essas declarações são criminosas e repreensíveis", completou a federação.


 "Não estamos mais deixando os casos 'passarem batido'", finalizou o diretor do Observatório.

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