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Ameaçada, formanda envia carta e falta à própria formatura em Apucarana

Estudante da Unespar teve carta lida na cerimônia e afirma que agressor segue solto após ataque em Apucarana
11 mar 2026 às 11:24
Por: Band
Foto: Reprodução

Uma estudante da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), vítima de uma tentativa de feminicídio em Apucarana, no Norte do Paraná, não compareceu à própria formatura por motivos de segurança. A jovem se formou no curso de Administração, mas permanece escondida por medo do ex-companheiro, apontado como autor do crime.


Durante a cerimônia, uma carta escrita pela formanda foi lida por uma professora. No texto, ela relata o motivo da ausência e afirma que ainda teme pela própria vida e pela segurança do filho.


“Não estou presente porque aquele que me atentou contra a minha vida e a vida do meu filho permanece em liberdade”, escreveu.


A estudante também afirmou que a ausência não foi uma escolha, mas consequência da situação que enfrenta.

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“Minha ausência não é uma escolha. É o retrato de um sistema que ainda impõe à vítima o recolhimento, enquanto o agressor circula sem restrições. Ainda assim, quero que saibam, ele não venceu.”


Tentativa de feminicídio ocorreu em fevereiro


O crime aconteceu no dia 10 de fevereiro, em Apucarana. Segundo a vítima e testemunhas, ela estava em um carro com o filho de 9 anos quando o veículo foi interceptado por outro automóvel dirigido pelo ex-companheiro, identificado como Ademar Augusto Crepe, de 58 anos.


De acordo com o relato, o homem jogou o carro contra o veículo da mulher. Ela perdeu o controle da direção e bateu em um poste, que caiu sobre o automóvel.


Ainda segundo a vítima, o suspeito tentou atirar contra ela após a batida, mas o revólver falhou. A mulher e a criança foram socorridas e encaminhadas ao hospital com ferimentos.


Após o crime, o suspeito fugiu. A Justiça decretou a prisão dele, mas o homem continua foragido.


Vítima permanece escondida


Mesmo com uma medida protetiva concedida pela Justiça, a vítima afirma que não se sente segura e decidiu permanecer escondida até que o suspeito seja localizado.


Para a presidente da Comissão de Violência de Gênero da OAB do Paraná, Gisele Silva Maestrelli, é necessário aprimorar os mecanismos de proteção às vítimas de violência doméstica para que as medidas judiciais tenham maior eficácia.


Carta emocionou cerimônia de formatura


Na carta lida durante a cerimônia, a estudante destacou que conseguiu concluir o curso mesmo enfrentando o medo e a violência.


“Persisti quando o mundo parecia exigir apenas que eu sobrevivesse.”


A leitura foi seguida por aplausos dos presentes na cerimônia.

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