Mais uma grande conquista do Parque Nacional do Iguaçu. Referência na conservação da biodiversidade e no turismo sustentável, o parque está cumprindo seu papel de resguardar a mais importante população remanescente de onças pintadas da Mata Atlântica. Ontem (06), à tarde integrantes do projeto Onças do Iguaçu fotografaram a Mamãe Atiaiá (que é acompanhada pelos projeto) e seus 3 filhotes, no parque Nacional do Iguaçu.
A onça-pintada (Panthera onça Linnaeus), um mamífero que pode atingir até 2,41 metros e pesar 158 quilos, está ameaçada de desaparecer da Mata Atlântica devido à caça predatória e à perda e degradação de seu habitat. Existem no bioma, entre o Espírito Santo e o Iguaçu, no Sul do Brasil, menos de 200 animais, fato que motivou a aprovação do Plano de Ação Nacional para Conservação da Onça-pintada, o PAN Onça-pintada, pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), conforme a Portaria nº 63/2014.
Em menos de uma semana as onças pintadas já foram vistas duas vezes na reserva ambiental e isso significa que a espécie está se reproduzindo bem.
O Parque Nacional acaba de lançar um guia de convivência com as onças. Além disso, funcionários da reserva ambiental estão instalando armadilhas fotográficas para tentar identificar quais os pontos que os animais passam com mais frequência.
A coordenadora do projeto de preservação desta espécie no parque explica que se o visitante dar de cara com uma onça, é preciso manter a calma e nunca fugir do animal.
EQUILÍBRIO
Considerado o maior felino das Américas e o único representante atual do gênero Panthera no continente, a onça-pintada é, também, o maior predador das Américas, controla toda a cadeia alimentar e o equilíbrio ecológico dos ambientes onde ocorre. Se for extinta, as consequências danosas para o homem e o meio ambiente serão incalculáveis.
PRINCIPAIS AMEAÇAS
A Mata Atlântica está localizada em regiões densamente povoadas, o que vem provocando, ao longo dos anos, a degradação da maior parte da sua floresta nativa. A vegetação remanescente é, hoje, conservada em pequenos fragmentos, principalmente no interior de unidades de conservação. A perda e a degradação do hábitat é uma das ameaças mais sérias enfrentadas pela espécie, influenciando negativamente na qualidade e capacidade de suporte do ambiente.
A destruição da vegetação impede a reprodução de outros animais, que servem de alimentos para a onça-pintada. Além dos problemas relacionados aos habitats, a onça costuma ser perseguida pelo homem, porque ameaça às criações domésticas.
OCORRÊNCIA
De hábitos predominantemente noturnos, essa espécie de onça também é encontrada na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Pantanal e, ainda, do sul dos Estados Unidos ao centro-oeste da América do Sul (Colômbia e Equador), Peru e Bolívia (leste dos Andes), por todo o Paraguai e no norte da Argentina. Seu alimento preferido são os porcos-do-mato (queixadas e catetos), antas e capivaras.
Na Mata Atlântica, as onças-pintadas estão, praticamente, restritas às unidades de conservação, sendo que a área de ocupação é 30.382 quilômetros quadrados. Trata-se de um animal solitário, sendo que a interação entre machos e fêmeas ocorre apenas durante o acasalamento. A gestação varia de 90 a 100 dias, podendo nascer até quatro filhotes, mas a média é de dois filhotes por gestação.