A Biblioteca Pública do Paraná (BPP) inaugurou neste sábado (2) a “Estante Afro — Maria Águeda”, com mais de 500 títulos de livros de autores negros, doados pelo Centro Cultural Humaitá. A doação foi feita por intermédio do escritor e ativista Kandiero, idealizador do Humaitá. As obras vão incorporar o acervo atual da biblioteca, que possui aproximadamente 750 mil itens.
Ao abrir a cerimônia de inauguração, o diretor da BPP, Luiz Felipe Leprevost, ressaltou que o ato é o início da construção do acervo. “Continuaremos recebendo doações. Esta ação representa o caráter democrático da instituição, sendo uma das poucas bibliotecas do Brasil a possuir um acervo totalmente dedicado à literatura negra”, afirmou.
O nome é uma homenagem à Maria Águeda, mulher livre e negra, vinda da região de Tindiqüera, hoje Araucária. Na Curitiba de 1804, ela se negou a obedecer ordens da esposa do capitão-mor da vila e, por isso, foi levada à prisão, tornando-se um dos símbolos da cultura afro-paranaense.
A estante ficará no hall térreo durante 15 dias e depois será abrigada na Seção de Documentação Paranaense, localizada no segundo andar da biblioteca. Entre os livros doados estão: Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves; Brasil Afro Alto Revelado, de Miriam Alves; Os Últimos Inéditos de Prosa e Poesia, de Cruz e Souza, e As Andorinhas, de Paulina Chiziane.
Criada em 1857, a Biblioteca Pública do Paraná é uma das maiores e mais importantes bibliotecas públicas do Brasil, com aproximadamente 750 mil livros, periódicos, fotografias, mapas, cartazes e materiais multimídia. Os serviços e projetos desenvolvidos pela instituição garantem acessibilidade e diversidade, tornando o espaço um dos centros culturais públicos mais visitados do país.