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Paraná

Estudo do IDR-Paraná mostra técnicas que reduzem cancro cítrico em 90% nos pomares

09 out 2021 às 09:42
Por: Agência Estadual de Notícias

A implantação de quebra-vento conjugada com aplicações de cobre reduz em até 60% a incidência de plantas com cancro cítrico nos pomares de citros. Se considerada a infecção em flores e frutos, o percentual é ainda maior, e passa de 90%, segundo o bacteriologista e pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-Iapar-Emater (IDR-Paraná), Rui Pereira Leite Junior.

Esses resultados são de um estudo realizado na Unidade de Pesquisa do IDR-Paraná de Xambrê (Noroeste), agora divulgados em artigo publicado na conceituada revista científica Plant Disease, editada pela sociedade de fitopatologia dos Estados Unidos.

O cancro cítrico, causado pela bactéria Xanthomonas citri, está disseminado nos principais países produtores de citros. Leite explica que o patógeno gera prejuízos rapidamente quando se instala em um pomar, porque causa depauperamento das plantas e baixa qualidade comercial da pouca produção obtida, pois a doença causa lesões nos frutos.

A bactéria não depende de um inseto que atue como vetor para se dispersar pelas plantações, o que torna a doença ainda mais ameaçadora para toda a cadeia produtiva. Durante anos, a principal recomendação para contê-la era simplesmente extirpar as plantas infectadas. No Brasil, houve até uma campanha nacional para erradicação do cancro cítrico, e pomares inteiros foram eliminados até a década de 1980.

Foi somente a partir da década de 1990 que a pesquisa estabeleceu um protocolo para manejo do cancro cítrico, que inclui o uso de quebra-vento, plantio de cultivares resistentes ou pouco suscetíveis, aplicação de bactericidas à base de cobre e de inseticidas para controlar a lagarta minadora dos citros (Phyllocnistis citrella).

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Embora não seja vetor da bactéria, a lagarta minadora danifica principalmente as folhas das árvores, e isso facilita a instalação da doença nas plantas, esclarece o pesquisador.

“Essas medidas são eficientes e amplamente adotadas pelos citricultores, mas ainda não conhecíamos detalhes do benefício de cada uma delas, isoladamente ou combinadas”, esclarece Rui Pereira Leite. 

Para fazer essa avaliação, em 2010 os pesquisadores implantaram um pomar de 10 hectares – laranjeiras da cultivar valência enxertadas sobre limão-cravo, moderadamente suscetíveis ao cancro cítrico –, que foi isolado com quebra-vento formado por árvores de casuarina (Casuarina cunninghamiana).

Avaliando em separado cada uma das ações contra a doença, os pesquisadores constataram que a aplicação de cobre proporcionou melhor resultado, seguida pelo quebra-vento. Já o controle da lagarta minadora dos citros não exerceu grande influência sobre a instalação e desenvolvimento do cancro cítrico no pomar.

Em conjunto, as duas medidas de controle (aplicação de cobre e quebra-vento) reduziram em 60% a incidência de plantas infectadas, percentual que passou de 90% quando se avaliou a infecção de folhas e frutos.

Isso significa, aponta o pesquisador, que as aplicações de cobre têm papel importante na redução da incidência da doença e perdas na produção, e que o quebra-vento contribui para diminuir a quantidade de frutos com cancro e, portanto, rejeitados pelo mercado.

“A adoção conjunta das duas práticas é o tratamento ideal paara o manejo eficiente do cancro cítrico”, avalia Leite. “Mas, dependendo da suscetibilidade da cultivar, o quebra-vento pode ser facultativo em pomares que produzem para a indústria, e obrigatório naqueles voltados ao mercado de frutas frescas”. O artigo, em inglês, pode ser acessado AQUI.

PARCERIA – Integraram a equipe do projeto os pesquisadores Franklin Behlau, Luis Scandelai, Isabela Primiano, Renato Bassanezi e Antonio Ayres, vinculados ao Departamento de Pesquisa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus); Armando Bergamin Filho e José Belasque Jr., da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, ligada à Universidade de São Paulo (USP); Timothy Gottwald, do Serviço de Pesquisa do Ministério da Agricultura dos Estados Unidos (USDA); e James Graham, da Universidade da Flórida, também nos Estados Unidos.

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