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Idoso submetido a trabalho análogo à escravidão é resgatado

Vítima atuava como vigia ininterrupto e sem acesso à água potável; autoridades investigam a empresa responsável pela exploração
29 mai 2026 às 15:03
Por: TNonline
As condições de moradia e higiene oferecidas ao trabalhador eram insalubres
Foto: MPT

Um idoso de 69 anos foi resgatado de condições análogas à escravidão em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais do Paraná. A operação que resultou no flagrante foi conduzida por auditores da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e por agentes da Polícia Federal (PF). O homem trabalhava ininterruptamente como vigilante em uma empresa de venda e locação de veículos e máquinas, sem contrato formal, vivendo em um cenário descrito pelas autoridades como de extrema degradação humana.


A vítima atuava no local desde junho de 2025, recebendo uma remuneração de R$ 400 semanais. Sem direito a descanso ou folgas, ele era obrigado a permanecer 24 horas por dia à disposição da empresa. A exigência de vigilância contínua era tão severa que o idoso precisava correr até um mercado próximo para comprar alimentos e retornar o mais rápido possível ao posto. As equipes de fiscalização constataram que, embora não houvesse violência física direta ou cárcere privado, o contexto de exploração era incompatível com a dignidade humana e com os direitos mínimos assegurados pela legislação trabalhista.


As condições de moradia e higiene oferecidas ao trabalhador eram insalubres. O homem dormia na cabine de um caminhão à venda no pátio da empresa, um espaço sujo, desprovido de conforto e de difícil acesso para alguém com a idade e as limitações físicas que ele apresentava. Apesar de haver um banheiro no imóvel, não existia fornecimento de água encanada potável. Para beber e cozinhar em um fogão improvisado de duas bocas, o idoso precisava caminhar por uma estrada de terra até uma propriedade vizinha, de onde carregava galões pesados. Os banhos também ocorriam de forma esporádica e dependiam da solidariedade da vizinhança.


A situação foi descoberta após o recebimento de denúncias anônimas. Com o resgate, a rede de assistência social municipal foi acionada, encaminhando o trabalhador a um abrigo e garantindo acompanhamento médico e fornecimento de medicamentos. O Ministério do Trabalho já iniciou os procedimentos administrativos para assegurar o pagamento de todos os direitos devidos à vítima.


Paralelamente, a Polícia Federal investiga a empresa e seus proprietários, que poderão responder criminalmente por redução à condição análoga à de escravo, delito que prevê pena de até oito anos de prisão e multas. O MTE orienta que casos semelhantes podem ser denunciados de forma sigilosa pelo Sistema Ipê, plataforma gerida pela SIT em parceria com a Organização Internacional do Trabalho.

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