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Após ataques, Mourão e Ramos avisam que 'paraquedistas vão sempre no mesmo passo'

08 abr 2020 às 20:55
Por: Estadão Conteúdo

Os generais influentes do Palácio do Planalto se irritaram com especulações de que pretendem formar uma Junta Militar para limitar o presidente Jair Bolsonaro ao papel de "Rainha da Inglaterra" - no dicionário da política, uma figura sem poder de fato. As insinuações foram feitas, no final da semana passada, pela ala ideológica do governo, liderada pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), o filho 02 do presidente, nas redes sociais.

Em mensagens no Twitter, o vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, elevaram o tom. "Aos aventureiros de muitos costados que nesta hora de dificuldades pretendem inviabilizar o @govbr lembro que sou o Vice do Presidente @jairbolsonaro e que os paraquedistas andam sempre no mesmo passo", publicou Mourão. "O #Brasilvencerá o #COVID-19 como venceu todas as guerras de sua História", ressaltou o general. Na verdade, o Império Brasileiro não conseguiu vencer a Guerra da Cisplatina, em 1828, e teve que aceitar uma negociação internacional que garantiu a independência do Uruguai. A derrota ou empate, historiadores divergem, arruinou a popularidade de D. Pedro I e a economia brasileira.

Horas depois do tuíte de Mourão, foi a vez de o general Ramos sair para o contra-ataque. "Só lembrando também que existem mais paraquedistas ao lado do nosso Pres Bolsonaro", escreveu no Twitter. Ele citou os ministros Augusto Heleno Ribeiro (Gabinete de Segurança Institucional) e Fernando Azevedo e Silva (Defesa), e o presidente dos Correios, Floriano Peixoto. "Paraquedistas são como águias, aves da mesma plumagem que voam juntas e enfrentam qualquer desafio! Vamos vencer o Covid-19." No Palácio, o que mais se ouviu foi o desbotado mantra de que "a tropa está unida" e "trabalhando pelo governo". "O presidente é Jair Bolsonaro e estamos aqui com ele e por causa do governo dele", disse à reportagem um interlocutor militar.

Os ataques aos generais pela ala ideológica, recorrentes desde o início do governo, foram reiniciados no dia 2 de abril. O primeiro alvo foi Mourão, que naquele dia se reuniu com governadores da Amazônia. Ele foi designado por Bolsonaro para presidir o Conselho da Amazônia. No dia seguinte, sexta-feira passada, ele foi bombardeado pela militância após o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), elogiá-lo e dizer que, se Bolsonaro entregar o governo para ele, o Brasil chegará em 2022 em melhores condições. Foi o suficiente para Carlos Bolsonaro perguntar, no Twitter, o que levava o vice-presidente a se reunir "com o maior opositor socialista do governo". Mourão ficou calado.

Na segunda-feira, 6, um dos apoiadores de Bolsonaro chegou a dizer ao presidente, na portaria do Palácio da Alvorada, para ele não se tornar "Rainha da Inglaterra". Bolsonaro não respondeu porque não ouviu ou porque preferiu fazer ouvido de mercador. Ele tinha outra batalha pela frente naquele dia. Precisava decidir se demitia o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que provoca ciúmes nele e nos filhos desde que começou a aparecer em coletivas para falar sobre o coronavírus.

Bolsonaro decidiu não demitir Mandetta, aceitando, assim, os conselhos justamente dos militares, especialmente do general Braga Netto, ministro-chefe da Casa Civil. A decisão realimentou a fúria do grupo de Carlos e da militância bolsonarista conta a "Junta Militar". A ala extremista não poupou nem mesmo o "interventor", como Braga Netto passou a ser tratado nas redes sociais. Por conta da polêmica com o ministro da Saúde, os generais do governo atuaram como bombeiros para tentar desfazer os imbróglios criados pela troca de farpas entre o presidente e Mandetta, e mantê-lo no governo. Neste momento, os generais avaliam que não é hora de aumentar as turbulências no Palácio e no País.

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