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Política

Bolsonaro diz que avalia deixar OMS caso órgão mantenha atuação partidária

05 jun 2020 às 22:51
Por: Estadão Conteúdo

Repetindo seu colega norte-americano Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 5, que o País pode deixar a Organização Mundial de Saúde (OMS) caso o órgão mantenha uma atuação "partidária". O presidente, que tem contrariado orientações do órgão internacional sobre o combate à pandemia do coronavírus, afirmou que "não precisa de gente lá fora dando palpite na saúde aqui dentro".

"Ou a OMS deixa de ser uma organização política, partidária até vou assim dizer, partidária, ou nós estudamos sair de lá", afirmou Bolsonaro em entrevista em frente ao Palácio da Alvorada.

Os Estados Unidos romperam relações com a OMS no mês passado com o argumento de que o órgão internacional foi "pressionado" pela China para dar "direcionamentos errados" ao mundo sobre o novo coronavírus, causador da covid-19. Trump é tido pelo governo brasileiro como principal aliado no cenário político internacional.

Sem citar a China, Bolsonaro foi na mesma linha, afirmando que a OMS precisou "voltar atrás" em orientações sobre distanciamento social e uso da hidroxicloroquina em pacientes com o doença. Trump é tido pelo governo brasileiro como principal aliado no cenário político internacional.

"A OMS recomendou há poucos dias não prosseguir mais os estudos sobre a hidroxicloroquina. Agora voltou atrás. É só tirar a grana deles que eles começam a pensar de maneira diferente", afirmou Bolsonaro, em uma referência ao corte de financiamento anunciado pelos norte-americanos.

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O presidente brasileiro tem defendido o uso amplo do medicamento, mesmo sem comprovação científica de que seja eficaz no combate à doença. Ele também é crítico de medidas de isolamento social, considerada a forma mais eficaz até o momento de se evitar a propagação do vírus.

Apesar do alinhamento de Bolsonaro com Trump, o presidente dos EUA citou o Brasil nesta sexta-feira como exemplo de país com dificuldades para lidar com a pandemia de coronavírus. Questionado sobre a declaração, Bolsonaro evitou criticar o aliado. "(Trump) É meu amigo, é meu irmão. Falei com ele essa semana, foi uma conversa maravilhosa, um abraço Trump. O Brasil aí quer cada vez mais aprofundar nosso relacionamento", disse Bolsonaro.

Os EUA são o país do mundo com o maior número de casos do novo coronavírus, com 1,9 milhão de infecções e mais de 108 mil mortos.

O Brasil é o segundo do mundo em número de casos, com quase 615 mil infecções confirmadas pelo Ministério da Saúde e 34.021 mortes, mas tem neste momento a maior taxa de aceleração da doença no mundo, uma vez que quase diariamente registra mais casos e mortes do que os EUA.

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