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Boulos critica compensação a empresas pelo fim da escala 6x1

Ministro participou de audiência pública na Câmara dos Deputados
14 mai 2026 às 16:16
Por: Agência Brasil
Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, manifestou-se contrariamente à concessão de compensações econômicas a empresas para viabilizar o fim da escala 6x1. Durante audiência pública na comissão especial da Câmara nesta quarta-feira (13), Boulos classificou a ideia como "bolsa patrão" e defendeu a humanização da jornada de trabalho.


O debate ocorre em um momento decisivo, após o governo e lideranças do Congresso selarem um acordo para avançar com a transição para a escala 5x2 e a redução da carga horária de 44 para 40 horas semanais.


Argumentos contra a compensação

Boulos comparou a proposta de compensação ao reajuste do salário mínimo, argumentando que o impacto econômico projetado pelo Ipea é semelhante.


"O trabalhador reduz a jornada, ganha dois dias para poder descansar, uma coisa humana... e aí esse próprio trabalhador, por meio dos seus impostos, tem que financiar uma compensação? Não tem razoabilidade", afirmou o ministro.


O fator humano: Movimento VAT

A audiência também contou com o depoimento de Rick Azevedo, vereador no Rio de Janeiro e fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Azevedo, que trabalhou por 12 anos sob o regime 6x1, relatou o impacto psicológico da escala:

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  • Desumanização: O ativista descreveu a escala como "desumana", afirmando que muitos trabalhadores deixam de se sentir pertencentes à sociedade.

  • Urgência: Rick criticou a ideia de um longo período de transição, pontuando que a pauta já está madura na sociedade desde 2023.


O Acordo Político

O governo federal e a Câmara dos Deputados definiram uma estratégia em duas frentes para acelerar a mudança:


  1. PEC (Proposta de Emenda à Constituição): Alteração constitucional simples para fixar o descanso remunerado de dois dias por semana (escala 5x2) e jornada de 40 horas.

  2. PL (Projeto de Lei) com urgência: Enviado pelo presidente Lula, o projeto servirá para ajustar legislações específicas de certas categorias à nova realidade constitucional.


Segundo o deputado Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão, o foco das negociações agora se volta exclusivamente para dois pontos pendentes: a definição de um possível período de transição e se haverá algum tipo de subsídio ou incentivo aos empresários.

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