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Crise institucional ofusca debate sobre propostas nas eleições

Entidades afirmam que crise envolvendo instituições domina o noticiário às vésperas do primeiro turno
14 set 2026 às 10:08
Por: Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A menos de 1 mês do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, entidades da sociedade civil avaliam que a atual crise político-institucional está desviando a atenção dos principais problemas do país e das propostas dos candidatos.


A avaliação é de que os desdobramentos da crise, que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), Polícia Federal e outras instituições, passaram a ocupar grande espaço no noticiário, nas redes sociais e no debate público. A situação também foi apontada por entidades científicas como prejudicial à qualidade da discussão pré-eleitoral.


Para a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, o cenário acaba prejudicando a discussão eleitoral, já que a atenção está concentrada nos acontecimentos relacionados ao Judiciário.


A presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, também defende que assuntos como ciência, inovação e desenvolvimento nacional tenham mais espaço na campanha.


Temas ficam em segundo plano


Segundo representantes de diferentes entidades ouvidos pela Agência Brasil, assuntos considerados estratégicos para o país perderam espaço no debate eleitoral.

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Entre eles estão educação, ciência e tecnologia, desenvolvimento econômico, geração de empregos, relações de trabalho, segurança pública e mudanças climáticas.


O coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, afirmou que temas relacionados ao desenvolvimento e à soberania nacional deveriam estar entre as prioridades dos candidatos.


Já a presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Rita Serrano, citou como prioridades para os trabalhadores propostas como o fim da escala 6x1, geração de emprego e renda e regulamentação da negociação coletiva no setor público.


Crise climática


As mudanças climáticas também foram apontadas como um assunto que deveria ocupar posição central na campanha.


Para o secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, eventos extremos como secas e enchentes já provocam impactos sociais e econômicos, mas ainda aparecem pouco entre as prioridades apresentadas pelos candidatos.


Ele defende que o enfrentamento da crise climática seja incorporado aos programas de governo.


Minerais estratégicos e soberania


Outro tema destacado pelas entidades é o aproveitamento de minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para o desenvolvimento industrial, científico e tecnológico do país.


A discussão ganhou força após a aprovação de um projeto que cria uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.


Organizações indígenas defendem que a exploração desses recursos respeite os territórios tradicionais e garanta mecanismos de consulta prévia às comunidades.


Movimento indígena prepara candidatos


A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) também vê as eleições como uma oportunidade para ampliar a representação indígena nos espaços de decisão.


O movimento decidiu apoiar 56 candidaturas para diferentes cargos, incluindo deputados estaduais, deputados federais, senadores e governador.


Segundo a entidade, a estratégia busca garantir representantes comprometidos com pautas como demarcação e proteção dos territórios indígenas, educação e saúde.


Mesmo reconhecendo os impactos da atual crise institucional, a Apib afirma que mantém a mobilização eleitoral e considera a defesa de seus direitos uma pauta permanente.


Debate eleitoral


As entidades consultadas defendem a apuração das denúncias envolvendo instituições públicas, mas avaliam que isso não deveria impedir a discussão sobre projetos de governo e os principais desafios enfrentados pelo Brasil.


A preocupação é que a disputa institucional ocupe espaço excessivo justamente em um período decisivo para que os eleitores comparem propostas antes da votação de 4 de outubro.

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