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Governo corta 44% de verbas das Forças Armadas

08 mai 2019 às 07:45
Por: Estadão Conteúdo

Com uma crise deflagrada entre militares e "olavistas" no governo, o alto comando das Forças Armadas foi comunicado nesta terça-feira, 7, que precisará aumentar o contingenciamento inicialmente previsto nos recursos destinados à Defesa. Antes de 21%, agora o bloqueio será de 44% dos R$ 13,1 bilhões do orçamento da área, o equivalente a R$ 5,8 bilhões. Só é menor do que o corte previsto na Educação, de R$ 7,3 bilhões.

A notícia foi dada durante almoço do presidente Jair Bolsonaro com os comandantes do Exército (Edson Pujol), da Marinha (Ilques Barbosa Jr.) e da Aeronáutica (Antônio Carlos Bermudez). O ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, também participou do encontro, que ocorreu no quartel-general do Exército, em Brasília.

Os militares ouviram a promessa de que, com a esperada recuperação da economia, a verba possa ser desbloqueada para não afetar os projetos em andamento considerados prioritários. O mesmo discurso foi usado mais tarde pelo porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros.

"Com a aprovação da nova Previdência e outras ações estruturantes, o governo entende que pode reacomodar esse orçamento, não só no Ministério da Defesa, mas em todos os outros envolvidos que foram contingenciados", disse.

Em nota, o Ministério da Defesa disse que o bloqueio não afetará operações da pasta "no momento". "Tal bloqueio, no momento, não impõe necessidade de mudanças na operacionalidade do Ministério da Defesa. A pasta trabalha com a expectativa de recuperação da economia e reequilíbrio do orçamento brevemente."

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Oficiais-generais ouvidos pela reportagem, porém, afirmam que caso os recursos não sejam liberados até setembro, a situação nos quartéis ficará "crítica".

Briga

Militares também ouviram apelos de Bolsonaro para que cessem as polêmicas com o escritor Olavo de Carvalho, considerado "guru do bolsonarismo". Nas últimas semanas, Olavo tem feito críticas a integrantes do governo, como o vice-presidente, Hamilton Mourão, e o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz. Nesta terça, após o ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, dizer em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que Olavo presta um "desserviço ao País", o guru voltou às redes sociais para novos ataques. Desta vez, sem tréplicas dos militares.

'Sapos'

Questionado se também iria pedir a Olavo para baixar o tom em relação aos militares, Bolsonaro se esquivou. "Olavo é dono do seu nariz, assim como eu sou dono meu nariz e você é do seu", disse. "Eu recebo críticas muito graves e não reclamo. O pessoal fala muito em engolir sapo e eu engulo sapo pela fosseta lacrimal", completou, demonstrando irritação e encerrando a entrevista após evento no Palácio do Planalto.

Auxiliares do presidente tentam contornar a crise para que o foco seja mantido na reforma da Previdência, prioridade do governo, mas que enfrenta resistências no Congresso.

Coube ao atual chefe de Villas Bôas, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, dar o último recado de Bolsonaro. "A postura do presidente foi muito clara e muito lúcida. Diante de todos os fatos que já aconteceram, ele determinou que a gente virasse a página disso e deixasse de alimentar essa discussão, que não tem de acrescentado nada, e que a melhor solução daqui pra frente é o silêncio", afirmou em entrevista à GloboNews. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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