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Política

Governo vigia o 'humor' dos internautas

01 abr 2019 às 07:50
Por: Estadão Conteúdo

O Palácio do Planalto divide os influenciadores nas redes sociais e sites que repercutem notícias relacionadas ao governo entre os de "viés de esquerda" e os "apoiadores". O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso a relatórios sigilosos de monitoramento das mídias digitais, produzidos por uma agência contratada pela Presidência. Os textos adotam termos da militância bolsonarista, como "velha política", para descrever parlamentares da oposição, e destacam ataques ao presidente Jair Bolsonaro e seus ministros com potencial de viralizar.

No embate público travado entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre o papel de cada um na articulação para aprovar a reforma da Previdência, o monitoramento do Planalto registrou 29,3 mil menções na manhã de terça-feira passada. Esse capítulo foi chamado no relatório de "desentendimentos entre parlamentares e articulações para a Nova Previdência".

O documento destaca que "os perfis seguem apontando desentendimentos entre parlamentares e líderes do governo. Entre suas linhas argumentativas, os usuários teceram críticas à velha política e questionaram a prioridade do presidente para a aprovação da medida". As hashtags mais difundidas foram #votesimpelareforma e #euapoionovaprevidencia.

O relatório aponta que os perfis de opositores do governo enfatizaram que o trabalhador teria "sacrifício" e criticaram a proposta para os militares.

Até uma postagem de Guilherme Boulos, candidato derrotado à Presidência pelo PSOL em 2018, foi monitorada. "A publicação antiga de Guilherme Boulos que acusou (verbo que aparece grifado no relatório do Planalto) o presidente de utilizar robôs para impulsionar a #EuApoioNovaPrevidencia tem gerado menções contestando a acusação. Apoiadores se mobilizam para defender a Nova Previdência e criticar a oposição", registrou o documento.

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O relatório aponta que houve críticas também à ausência do ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, na terça-feira passada. "Usuários classificaram a ação como antidemocrática e cobraram o diálogo com toda a população, inclusive parlamentares, já que eles seriam afetados pela medida."

Um relatório de 25 de março, com dados colhidos das 14 às 17 horas, mostrou uma forte reação a uma entrevista em que Guedes tinha dito que o governo não conseguiria pagar os salários dos servidores públicos se a proposta da "Nova Previdência" não fosse aprovada. Na análise parcial, 6 mil interações foram registradas.

No mesmo dia, repercutiu a crítica do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), quando ele disse que a Previdência "morreu" diante da falta de diálogo entre o Planalto e o Congresso. O relatório apontou que o posicionamento de Kim foi difundido especialmente pelos sites considerados de "viés de esquerda", citando a Revista Fórum e o site Catraca Livre - os dois veículos em suas páginas na internet informam atuar com independência.

O monitoramento captou que a decisão de Bolsonaro de comemorar o golpe de 1964 atrapalhava o debate da reforma. "Internautas acreditam que a celebração desviaria a atenção e estimularia debates que não seriam positivos para a aprovação." No texto, o golpe é tratado como "início do regime militar". Já os opositores adotaram termos como #ditaduranuncamais e #BrasilAfunda.

O monitoramento do governo teve espaço até para a "suruba de Noronha". Em 22 de fevereiro, foram registradas mais de 500 menções de usuários conectando a polêmica entre a separação de atores globais à Previdência. "Ora falando que não possuem tempo e disposição de falar sobre a reforma por estarem focados na 'fofoca', ora defendendo que as pessoas deveriam ignorar a vida dos famosos e focar nos temas que afetam brasileiros, como a Previdência", registrou o levantamento. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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