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Mídia estatal do Irã confirma a morte do líder supremo Ali Khamenei

Líder supremo do Irã desde 1989 foi alvo de ação militar coordenada dos Estados Unidos e Israel ao país
01 mar 2026 às 12:12
Por: Band
Foto: Reprodução/ Band

A mídia estatal iraniana confirmou, na noite deste sábado (28) a morte do líder supremo Ali Khamenei após os ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Ainda segundo a mídia local, foram anunciados 40 dias de luto nacional no país.


Segundo o relato, o aiatolá estava “cumprindo suas funções em seu escritório", quando a ação militar ocorreu nas primeiras horas na madrugada do sábado, no horário local, classificada como um “ataque covarde”.


"Perdemos um grande líder e estamos de luto por ele, um líder que era único em termos de pureza de espírito, força de fé, engenhosidade nos assuntos, coragem diante dos arrogantes e jihad no caminho de Deus", disse um comunicado da Guarda Revolucionária do Irã.


Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já tinha confirmado a morte.


Trump classificou Khamenei como "uma das pessoas mais malignas da História" e afirmou que sua eliminação representa "justiça" não apenas para os iranianos, mas para americanos e cidadãos de todo o mundo.

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Trump também destacou a superioridade tecnológica da operação, afirmando que Khamenei e os outros líderes eliminados foram incapazes de evitar os "Sistemas de Rastreamento Altamente Sofisticados" da inteligência americana. "Trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes mortos com ele, pudessem fazer", declarou.


Saiba quem foi o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã


Com a morte de Ali Khamenei, o Irã perdeu o chefe de Estado mais longevo do Oriente Médio e a figura que concentrou, por décadas, a autoridade máxima política, religiosa e militar da República Islâmica.


Nascido em 1939 na cidade de Mashhad, no nordeste iraniano, Khamenei seguiu formação religiosa sob forte influência do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, e teve papel central na Revolução de 1979, que derrubou o xá Reza Pahlavi.


Ele assumiu a presidência do Irã em 1981, em meio à consolidação do novo regime, e permaneceu no cargo até 1989, período em que ajudou a estruturar o domínio clerical sobre o Estado.


Também em 1981, Khamenei sobreviveu a um atentado a bomba que deixou seu braço direito paralisado, episódio frequentemente citado por aliados como símbolo de sua trajetória política.


Com a morte de Khomeini, em 1989, a Assembleia dos Peritos escolheu Khamenei como novo líder supremo, apesar de ele não possuir, à época, o grau religioso originalmente exigido pela Constituição, que foi posteriormente revisada.


Importância de Khameini no regime iraniano


Como líder supremo, Khamenei ocupa um posto vitalício no topo da hierarquia do país. Ele é o chefe de Estado, figura máxima religiosa e comandante-chefe das Forças Armadas. Khamenei tem a palavra final sobre todas as políticas públicas e externas do país.


Na prática, nenhuma decisão estratégica na relação com os Estados Unidos avança sem sua aprovação.

Ele também controla um vasto império econômico por meio do conglomerado Setad, avaliado em bilhões de dólares, usado para sustentar projetos políticos internos e estruturas ligadas à Guarda Revolucionária (IRGC).


No plano regional, Khamenei fomentou o chamado “Eixo da Resistência”, apoiando grupos como Hamas, Hezbollah e os rebeldes houthis, com o objetivo declarado de confrontar Israel e reduzir a influência ocidental no Oriente Médio.


Internamente, sua liderança ficou marcada pela repressão a sucessivas ondas de protestos, incluindo as manifestações de 2022 desencadeadas pela morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia da moralidade.

Como funciona o sistema de poder


O regime iraniano é uma teocracia em que instituições religiosas e estatais se entrelaçam. No topo está o líder supremo, que comanda as Forças Armadas, define diretrizes de política externa e exerce influência decisiva sobre os três poderes.


O presidente, eleito para mandatos de quatro anos, responde pela gestão da economia e de políticas internas, mas atua sempre limitado pelas orientações do líder supremo e pelos vetos de órgãos de supervisão.


Um desses órgãos é o Conselho dos Guardiões, formado por 12 clérigos e juristas, que tem poder para barrar leis aprovadas pelo Parlamento que considere incompatíveis com a Constituição ou com a lei islâmica, além de filtrar candidatos em eleições.


A Guarda Revolucionária, por sua vez, funciona como força militar de elite paralela às Forças Armadas regulares, responde diretamente ao líder supremo e tem a missão de proteger o regime, acumulando influência política e econômica.


Quem pode suceder Khamenei?


Com a morte de Khamenei, a responsabilidade formal de escolher o próximo líder supremo recai sobre a Assembleia dos Peritos, colegiado de clérigos com mandato fixo encarregado de supervisionar e, em tese, substituir o comandante máximo do país.


O núcleo de poder em Teerã tenderia a acelerar a indicação de um sucessor para sinalizar estabilidade interna e externa e evitar disputas prolongadas entre facções rivais.


Entre os nomes mais citados está o de Mojtaba Khamenei, de 56 anos, filho do líder supremo, visto por observadores como uma opção de continuidade da linha política atual e de preservação do círculo de poder em torno da família.


Outro potencial candidato é Hassan Khomeini, neto do aiatolá Ruhollah Khomeini, que possui respeito entre parte do clero e quadros da Guarda Revolucionária, embora mantenha vínculos com setores considerados mais reformistas do sistema.


A Guarda Revolucionária deve exercer forte influência nos bastidores da sucessão, pressionando pela escolha de uma liderança de linha dura que mantenha os principais pilares ideológicos e estratégicos do regime.



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