Pelo menos dois ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) passarão a ser investigados formalmente em um inquérito que apura um suposto esquema de venda de sentenças na Corte. A abertura das apurações foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os alvos da medida são os ministros Paulo Dias de Moura Ribeiro e Marco Buzzi. O início das investigações atende a um pedido formulado pela Polícia Federal (PF), que recebeu o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
No caso de Moura Ribeiro, os investigadores suspeitam que decisões proferidas pelo magistrado tenham favorecido advogados e lobistas investigados na Operação Sisamnes, deflagrada em 2024. A PF identificou indícios em pelo menos dez processos sob relatoria do ministro. A corporação também apura repasses financeiros a um ex-servidor que atuou no gabinete até 2021 e solicitou a quebra de dados financeiros de empresas, funcionários do tribunal e familiares do magistrado.
Em relação a Marco Buzzi — que já responde a um processo por assédio sexual com julgamento previsto para agosto —, a apuração busca esclarecer citações ao nome de um de seus familiares em diálogos interceptados entre lobistas que atuavam para comprar decisões judiciais.
O que dizem os ministros citados
Em nota divulgada por sua assessoria, o ministro Moura Ribeiro afirmou desconhecer a existência do inquérito e classificou como "completamente improcedentes" as tentativas de associá-lo a crimes. Sobre o funcionário citado na apuração, explicou que o servidor atuou na função por poucos meses em 2019 e foi exonerado a pedido do próprio gabinete após a constatação de conduta irregular.
Por sua vez, a assessoria do ministro Marco Buzzi informou que o magistrado não tem relação com as atividades de seus familiares e declarou-se impedido de atuar em processos com participação de parentes. A nota acrescenta ainda que o ministro não figura como investigado e desconhece o andamento do caso.