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Perícia em celular de Vorcaro pode manter caso Master no STF

Polícia Federal analisa mais de cem contatos de autoridades em aparelhos apreendidos; Senado cria grupo para investigar suposta fraude bilionária
05 fev 2026 às 12:22
Por: Band
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Polícia Federal realiza uma perícia detalhada nos celulares do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, de seus familiares e de Nelson Tanure, apontado como suposto sócio oculto da instituição. O resultado desse "pente-fino" é considerado fundamental para determinar o futuro jurídico do processo. Caso fiquem comprovados indícios de crimes envolvendo autoridades com foro privilegiado, o processo permanece no Supremo Tribunal Federal (STF); do contrário, as investigações serão remetidas para a primeira instância.


O aparelho de Vorcaro, que foi acessado pela PF por meio de softwares estrangeiros após o banqueiro se recusar a fornecer a senha, contém mais de cem contatos de autoridades, incluindo deputados, senadores e ministros de Estado e do STF. 


Investigadores estimam que a extração completa dos dados, que abrange inclusive arquivos armazenados em nuvem, deve ser concluída em aproximadamente duas semanas. O volume de contatos de autoridades gera apreensão em Brasília.


Investigação no Senado e desdobramentos no Maranhão

No Congresso Nacional, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado oficializou a criação de um grupo de trabalho para acompanhar os desdobramentos do Caso Master. 

O senador Renan Calheiros, presidente da comissão, classificou o episódio como uma "lama malcheirosa" e afirmou que o colegiado requisitará toda a documentação, inclusive de caráter sigiloso. Estão previstos convites para que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos. Além disso, questionamentos por escrito serão enviados à Presidência da República sobre reuniões ocorridas em 2024 entre o presidente Lula e o banqueiro. O governo afirma que, na época dos encontros, não havia indícios de irregularidades.

Paralelamente, a crise atinge o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA). Desembargadores questionam a decisão do presidente da corte, Froz Sobrinho, que transferiu quase R$ 3 bilhões em depósitos judiciais do Banco do Brasil para o BRB. 

A movimentação, que deveria ser colegiada, foi feita de forma individual sob a justificativa de rendimentos maiores. Durante reunião para explicar a aplicação, houve bate-boca entre Froz Sobrinho e o desembargador Paulo Velten, que classificou a medida como "gravíssima" e criticou a tentativa de dividir a responsabilidade pela decisão exclusiva da presidência. Não houve retorno sobre se tais valores foram destinados a fundos ligados ao Banco Master.
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