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Política

Polícia apreende comunicação do condomínio de Bolsonaro

08 nov 2019 às 08:20
Por: Estadão Conteúdo

A Polícia Civil do Rio apreendeu ontem o sistema de comunicação da portaria do condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio), onde morava e foi preso em março passado Ronnie Lessa, um dos acusados pelas mortes da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, em março de 2018. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) também tem casas nesse condomínio. Ele residia em uma, antes de tomar posse como presidente, e seu filho Carlos mora em outra.

Consultada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a Polícia Civil afirmou que a investigação sobre o caso transcorre sob sigilo e, por isso, não iria se pronunciar.

A intenção da Polícia é fazer uma perícia para tentar esclarecer a entrada, no condomínio, no dia da morte de Marielle, de Élcio Queiroz, outro acusado de participar do duplo assassinato. Em depoimento, um porteiro do condomínio afirmou que, ao entrar no Vivendas na tarde daquele dia 14 de março de 2018, Élcio teria informado que iria à casa 58 - onde morava Bolsonaro. O porteiro teria conversado, por um sistema de comunicação, com alguém no imóvel do atual presidente, naquela ocasião. Segundo ele, "seu Jair" liberou a entrada.

Essa versão baseia-se em anotações em um livro da portaria e em dois depoimentos do empregado. Neles, o porteiro teria dito à Polícia que, ao verificar, pelas câmeras de vigilância, que o visitante não ia para a casa de Bolsonaro, mas para o imóvel de Ronnie Lessa, teria ligado novamente para a casa do então deputado federal. "Seu Jair" teria dito que sabia para onde Élcio se dirigia.

Nesse dia, porém, Bolsonaro estava em Brasília, onde gravou vídeos e registrou presença em de votações na Câmara. O conteúdo do depoimento do porteiro foi revelado pelo "Jornal Nacional", da Rede Globo, na semana passada.

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Na ocasião, o advogado Frederick Wassef, que representa Bolsonaro, negou a versão do porteiro. Afirmou que se tratava de uma "tentativa de atingir o presidente".

No dia seguinte, o Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) convocou entrevista coletiva para afirmar que a informação fornecida pelo porteiro era falsa. Baseou-se em um exame realizado naquele dia, em menos de três horas, como mostrou a reportagem.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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