Todos os locais
Todos os locais

Selecione a região

Instagram Londrina
Instagram Cascavel
Cascavel
Londrina
Política

Porta-voz reforça papel crítico e nega 'partidarização' na CNBB

01 mai 2019 às 20:15
Por: Estadão Conteúdo

Durante o primeiro dia de sua 57ª Assembleia Geral, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reforçou o papel da Igreja de defender os mais pobres e negou que exista tendência de alinhamento com o governo do presidente Jair Bolsonaro. Depois de reconhecer que há uma polarização entre "nós e eles" no Brasil, o presidente da Comissão para Ação Transformadora e bispo de Lages (SC), dom Guilherme Werlang, um dos porta-vozes do evento, disse que não há partidarização na CNBB. "Nunca houve, mas às vezes se cria a imagem de que a CNBB se identificou com um partido ou outro. Não é verdade", afirmou, durante a primeira entrevista coletiva.

Indiretamente, ele respondeu às críticas de aliados de Bolsonaro que veem ligação da Igreja com o PT e a esquerda. Durante a assembleia, a CNBB elege também seus novos dirigentes e uma corrente estaria inclinada a buscar aproximação com o governo Bolsonaro. "Nós não devemos cair nessa armadilha de fazer escolhas para um lado ou para o outro", disse. Dom Guilherme reconheceu que há uma tendência de polarização no mundo inteiro, que interpretou como um retorno a décadas atrás, quando o mundo estava dividido entre capitalista e comunista. "Tenho impressão de que essa é uma polarização artificial, mais decorrente da disputa política e não de uma filosofia bem formada."

Ele lembrou que o papa Francisco deu exemplo de como superar essas diferenças, visitando predominantemente países muçulmanos. "A questão é de uma certa esperteza, uma certa astúcia para não cair nessas armadilhas (políticas)", disse. Reconheceu, no entanto, que o Brasil passa por um momento delicado. "A crise econômica é brava, basta dizer que estamos saindo de 12 para 14 milhões de desempregados e há 30 milhões de subaproveitados", disse.

Perguntado se as críticas à reforma da Previdência tinham relação com a intromissão do governo de Bolsonaro na questão do Sínodo da Amazônia, o vice-presidente da CNBB e arcebispo de Salvador (BA), dom Murilo Krieger, disse que a primeira preocupação com a Previdência foi ainda no governo Temer. "Naquela ocasião já chamamos a atenção. A gente chama a atenção para valores que não estão sendo lembrados."

Ele disse não ter sentido a especulação de que a direção a ser eleita para a CNBB será mais alinhada com o governo Bolsonaro. "O alinhamento não tem sentido. Nossa função é ter um papel crítico. O grande trabalho é feito internamente, são os desafios da Igreja de como evangelizar. Não pensamos quem vai ser o ideal para lidar com o governo, não, até porque o nível de contato com o governo é muito pequeno. Não se pensa em ter alguma coisa já montada a favor ou contra alguém. A Igreja está sempre procurando o diálogo. A gente sabe que, se nós trancarmos o diálogo, é o povo que fica prejudicado."

Outras notícias

Três plataformas de apostas voltam a ser bloqueadas por decisão judicial

Deputado italiano questiona rapidez na cidadania dos filhos de Bolsonaro

Ex-presidente do Paraguai tem prisão decretada após impeachment

Ainda sobre o encontro que discutirá a Amazônia, em outubro, no Vaticano, ele disse que não é um sínodo só do Brasil. "Vamos tratar do problema da pessoa que mora na Amazônia também em outros países, que não tem voz, nem vez. Não vejo como oposição ao governo. O sínodo já estava programado há um ano e meio, muito antes das eleições presidenciais. A manifestação do governo, a preocupação de querer participar, não cabe. Não é para resolver questões econômicas e geopolíticas, é para evangelização."

Diretrizes

A assembleia geral do episcopado brasileiro discute até o próximo dia 10 as diretrizes que a Igreja, com quase 280 dioceses espalhadas pelo Brasil, vai seguir até o ano de 2023. "As diretrizes são como uma plataforma de governo que inspira o trabalho total da Igreja do Brasil em todos os segmentos. Qual a grande questão da Igreja brasileira no momento? Uma realidade que vivemos é a predominância do mundo urbano no Brasil inteiro. Vivemos numa situação diferenciada, com mudanças incríveis nas relações pessoais. Sobre quais pilares vamos sustentar a Casa de Deus, essa é a questão", disse dom José Belisário da Silva, arcebispo de São Luiz (MA) e coordenador dos trabalhos.

A votação para a CNBB será para os cargos de presidente, vice-presidente e secretário-geral. Todos os cerca de 300 bispos na ativa podem votar e serem votados. Os mais de 100 eméritos presentes no encontro não podem votar, nem serem votados. O mandato dura quatro anos e pode haver uma reeleição. Foram dispostas 17 cabines de votação no Centro de Eventos do Santuário de Aparecida. O sistema é digital conectado a um servidor de banco de dados. O formato desenvolvido pela CNBB garante o sigilo do voto e a privacidade dos eleitores.

Venezuela

A crise na Venezuela também preocupa a Igreja do Brasil e será discutida na assembleia. Várias dioceses, principalmente a de Roraima, criaram mecanismos para ajudar os imigrantes que cruzam a fronteira. As tensões dos últimos dias, com a tentativa do presidente autoproclamado Juan Guaidó de assumir o poder, fizeram crescer a entrada de venezuelanos no Brasil, segundo o bispo de Roraima, dom Mário Antônio da Silva.

"Fizemos um intercâmbio com a diocese venezuelana mais próxima da fronteira, estabelecendo pontes e caminhos de auxílio para os migrantes. Isso porque a Operação Acolhida, do governo federal, com a presença das Forças Amadas, embora importante, não é suficiente para acolher a todos. Não acolhe nem a metade dos que pedem ajuda."

Segundo ele, a maior parte dos imigrantes acaba batendo às portas das igrejas que, desde o início da crise, em 2017, desenvolve projetos de acolhida aos venezuelanos. "Falta no Brasil uma política de acolhida migratória. Tem a lei da imigração, mas não há política de Estado para a acolhida. Nós da Igreja estamos acolhendo com a ajuda de parceiros internacionais e organismos da ONU", disse o bispo.

Siga a Tarobá no Instagram

Veja também

Relacionadas

Política
Imagem de destaque

AGU prepara recurso contra decisão da Justiça que liberou três bets

Política
Imagem de destaque

Lula quer “economia arrumada” para atrair investimentos

Política

Lula vai criar Ministério da Segurança Pública com Medida Provisória

Política

Reforma tributária deve começar em janeiro de 2027, diz ministro

Mais Lidas

Cidade
Cascavel e região

Prédio pode desabar e vizinhos são orientados a deixar casas em Francisco Beltrão

Cidade
Londrina e região

Rua Paranaguá enfrenta queda no número de bares em Londrina

Cidade
Londrina e região

Homem ateia fogo em apartamento e foge em Londrina

Cidade
Londrina e região

Homem morre em confronto com a PM na PR-090, em Ibiporã

Cidade
Londrina e região

Preço da gasolina começa a cair e chega a R$ 5,77 em Londrina

Podcasts

Sem Cerimônia Uniware | EP 01 | Atilei Joaquim, Cláudio Ziller e Rafael Ziller

Podcast Andorinha I EP 4 I Azeite sem segredos I Susan Cavallin

Podcast Eleva+ Cast | EP 30 I Manutenção Técnica em Condomínios I Maurício Poleza