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Relator pede cautela com Lei da Reciprocidade nos EUA

Arnaldo Jardim defende esgotar negociações comerciais e diplomáticas antes de adotar retaliações contra Washington
19 jul 2026 às 12:05
Por: Band
Reprodução

O deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), relator da chamada Lei da Reciprocidade, defendeu publicamente que o Brasil adote uma postura de cautela e paciência diante das barreiras comerciais e tarifárias impostas recentemente pelos Estados Unidos. Em entrevista à BandNews TV, o parlamentar destacou que o país precisa esgotar todas as negociações e canais diplomáticos antes de partir para medidas de punição ou retaliação financeira.


De acordo com o relator, iniciar uma guerra de tarifas imediata pode gerar um efeito cascata prejudicial, onde o Brasil taxa os produtos americanos e, em resposta, os EUA aumentam ainda mais os impostos, criando uma disputa sem fim. Para Jardim, a mediação baseada em números e dados técnicos deve prevalecer sobre discursos políticos inflamados ou retóricas eleitorais.


Historicamente, os Estados Unidos vendem mais para o Brasil do que compram, mantendo um saldo positivo (superávit) nessa relação. No entanto, o deputado alertou que o volume de trocas comerciais entre as duas nações diminuiu nos últimos tempos, reforçando que uma boa convivência interessa a ambos os lados.


O trunfo do petróleo e a "lei do chute na canela"


Atualmente, o principal produto brasileiro exportado para o mercado norte-americano é o petróleo, cujas vendas já ultrapassaram a marca de U$ 4 bilhões. Arnaldo Jardim explicou que a dependência mútua de insumos estratégicos serve como um trunfo para o Brasil. Ele chama isso de "argumento da necessidade", mostrando de forma objetiva aos americanos que eles não encontram fornecedores de produtos como café, carne e suco de laranja no mesmo volume e preço em outros lugares do mundo.


A Lei da Reciprocidade funciona como uma ferramenta de defesa comercial. O projeto foi aprovado por unanimidade tanto no Senado (sob relatoria de Tereza Cristina) quanto na Câmara dos Deputados. Na prática, a lei permite que o mercado nacional reaja de forma equivalente e proporcional quando sofrer sobretaxas severas no exterior. Nas palavras do próprio deputado, a medida significa que, se um país parceiro "chutar a canela" do Brasil, o governo brasileiro ganha o direito legal de responder na mesma moeda.

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