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Um dia após 'fico' de Mandetta, Bolsonaro evita responder se vai reabrir comércio

07 abr 2020 às 10:14
Por: Estadão Conteúdo

Um dia após o "fico" do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o presidente Jair Bolsonaro evitou nesta terça-feira, 7, responder a um apoiador que o questionou sobre a possibilidade de assinar um decreto liberando o funcionamento do comércio no País. A flexibilização nas regras de isolamento social, adotadas para evitar a propagação da covid-19, é um dos pontos de atrito entre presidente e ministro. "Você sabe o que está acontecendo na política brasileira? Você sabe o que representa uma resposta para você aqui agora", respondeu o presidente ao apoiador que o questionou em frente ao Palácio da Alvorada.

Bolsonaro tem criticado governadores e prefeitos que restringiram o funcionamento de shoppings, lojas e escolas com o argumento de que o impacto na economia causará mais danos do que a pandemia de coronavírus. Na semana passada, o presidente afirmou que já tinha um decreto sobre sua mesa autorizando a reabertura de diversas atividades, a despeito de determinações locais para o fechamento. "Eu tenho um decreto pronto para assinar, se eu quiser assinar, considerando ampliar as categorias que são indispensáveis para a economia", afirmou na quinta-feira, em entrevista à rádio Jovem Pan.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) dizem em conversas reservadas, no entanto, que se o presidente levar adiante sua ideia a medida será barrada pela Corte. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o Supremo não vai autorizar nenhuma ação que confronte as recomendações das autoridades de saúde do Brasil e do mundo com relação ao combate do novo coronavírus. A principal delas é o isolamento social.

Na rápida conversa que teve com apoiadores na manhã desta terça-feira, Bolsonaro também evitou responder sobre a situação do ministro da Saúde. Na segunda, após o acirramento do cabo de guerra com o presidente e rumores de que seria demitido, Mandetta disse que permanece no cargo, pediu "paz" para chefiar a pasta e, sem citar diretamente o presidente, reclamou de críticas que, em sua visão, criam dificuldades para o seu trabalho.

O ministro também destacou que possui uma equipe técnica à frente do Ministério da Saúde e sinalizou que, se for embora, o seu time vai junto.

Apesar de não falar sobre o assunto, o presidente ouviu apelos do grupo que estava em frente à residência oficial para demitir o auxiliar. "Mandetta não merece sua confiança, presidente", disse um apoiador. Quando deixou o local, a claque passou a entoar gritos de "Fora Mandetta".

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