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Venezuela: governo e oposição têm 1º encontro rumo a transição política

Narrativa descreve governo interino, negociações em Caracas e expectativa por eleições e libertação de presos políticos
07 ago 2026 às 10:59
Por: Band
Foto: Band

O governo interino da Venezuela e delegados da oposição tiveram nesta quinta-feira, 6, em Caracas, um primeiro encontro no diálogo apoiado pelos Estados Unidos, que muitos esperam que resulte em eleições e numa transição política. O processo começou sete meses após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro em uma operação dos Estados Unidos, e na ausência da líder da oposição e ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado.


Apenas fotógrafos foram autorizados a entrar no Centro de Convenções da instalação militar de La Carlota para o início das conversas. As partes informaram que se comprometeram com "princípios de respeito à soberania nacional" e "negociação de boa-fé", "proteção dos direitos humanos" e "políticos de todas as forças", segundo uma declaração conjunta. Também publicaram em suas redes sociais que vão buscar uma "solução política, pacífica, democrática e constitucional".


As delegações definiram a metodologia, as rodadas de trabalho e a agenda de discussões. Elas vão se reunir até o próximo dia 12.


A mesa foi liderada por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente encarregada do país, e por Dinorah Figuera, líder da bancada opositora que conquistou a maioria legislativa em 2015, um resultado que Nicolás Maduro não reconheceu.


“Garantidor”


Washington celebrou o início do diálogo. "Essas conversas diretas representam uma oportunidade única", afirmou o Departamento de Estado em comunicado.

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O texto lembra que o objetivo do governo de Donald Trump para a Venezuela se desenvolve em três fases: "estabilização, recuperação econômica e reconciliação política".


Ao chegar à Venezuela na quinta, 6, procedente da Espanha, onde vivia exilada, Dinorah disse que esse processo busca promover mudanças no Tribunal Supremo de Justiça, no Conselho Nacional Eleitoral e garantir a recuperação dos direitos civis e políticos dos venezuelanos.


O diálogo desperta expectativa entre integrantes da oposição e familiares de presos políticos.

O dirigente Juan Pablo Guanipa, aliado próximo de María Corina, destacou no X que "desta vez existe, sim, um garantidor para assegurar que o chavismo cumpra sua palavra".


"Esperamos que a Venezuela consiga o quanto antes a libertação de TODOS os presos políticos, novos poderes públicos e um cronograma eleitoral que inclua a eleição presidencial", escreveu, proclamando María Corina "como candidata" à Presidência.


“Moeda de troca”


Observadores afirmam que Washington veta o retorno de María Corina à Venezuela, embora o governo dos Estados Unidos negue essa informação. Já Trump elogia o trabalho de Delcy Rodríguez e sugeriu que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado americano.


Por outro lado, os setores mais à esquerda da sociedade venezuelana não perdoam a guinada de 180° do governo chavista após 25 anos de discursos anti-imperialistas.


"Nem colônia, nem tutela, a pátria não se entrega!" e "Gringo, go home!" gritaram militantes da esquerda venezuelana em protestos recentes, nos quais queimaram bandeiras dos Estados Unidos.


Um grupo de familiares de presos políticos pediu nesta quinta-feira a Dinorah que busque a libertação de seus parentes.

"Os presos políticos não são moeda de troca. Pedimos a libertação imediata de todos os presos políticos", apelou a Dinorah a irmã de um militar preso.


Mayra Morales, de 40 anos, e dezenas de outras pessoas mantêm há 60 dias uma vigília em um acampamento instalado perto da embaixada dos Estados Unidos em Caracas.


Eles exigem que o encarregado de negócios dos Estados Unidos, John Barrett, interceda pela libertação de seus familiares, mas ainda não foram recebidos pelo diplomata.

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