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Política

Vereador e filha negam envolvimento com irregularidades de clínicas psiquiátricas

26 jun 2019 às 18:15
Por: Redação Tarobá News

A Comissão Especial (CE) de Acompanhamento das Investigações sobre Clínicas Psiquiátricas de Londrina ouviu na manhã desta quarta-feira (26) o vereador João Martins (PSL) e a assistente social Greice Kelle de Souza Silva, que é filha do parlamentar e trabalha há nove anos no Pronto Atendimento da Clínica Psiquiátrica de Londrina (CPL) e da Villa Normanda. Os dois são citados em depoimentos dados à 24ª Promotoria de Justiça por funcionários e ex-funcionários das instituições de saúde, acusadas pelo Ministério Público (MP) de supostas irregularidades no atendimento a pacientes.

Conforme depoimentos aos quais a Comissão do Legislativo teve acesso, a direção das clínicas seria avisada com antecedência sobre fiscalizações da Vigilância Sanitária e determinava a higienização das instalações no dia anterior ao da inspeção. O nome de Greice é citado em ao menos cinco depoimentos dados ao MP. "O nome dela apareceu várias vezes, no sentido de que levava para a direção das clínicas a informação de quando haveria uma vistoria", afirma o vereador Vilson Bittencourt (PSB), que preside a comissão ao lado dos vereadores Eduardo Tominaga (DEM) e Roberto Fú (PDT). Ainda segundo um dos depoimentos, havia comentários de que o vereador João Martins, quando trabalhava na Vigilância Sanitária, poderia ter comunicado as clínicas sobre fiscalizações.

João Martins atuou por 16 anos na Vigilância Sanitária de Londrina, entre 2000 e 2016, ano em que se aposentou. De 2009 a 2011, ocupou o cargo de diretor da instituição. "Nós buscamos informações com o vereador João Martins, porque ele trabalhou na Vigilância Sanitária e viveu um período em que muitas irregularidades, conforme os depoimentos que o Ministério Público nos enviou, já estavam ocorrendo nas clínicas psiquiátricas", explicou o presidente da CE, Vilson Bittencourt em entrevista à imprensa. E continuou: " Ele [ João Martins] disse  que, até por causa da formação que tem, em Sociologia, não fazia esse trabalho de vistoria em hospitais e clínicas. Ele também negou algumas denúncias que foram apontadas no relatório do Ministério Público, sobre interferências dele [comunicando sobre fiscalizações]".

Tanto João Martins quanto a assistente social Greice Kelle refutaram envolvimento com as irregularidades apontadas por funcionários e ex-funcionários das clínicas. Durante a reunião da CE, o vereador afirmou nunca ter recebido denúncias sobre as clínicas enquanto trabalhou na Vigilância Sanitária. "Cada fiscal tem o seu setor de trabalho. No meu caso, eu fazia vistorias em farmácias, óticas. Quem tem prerrogativa de fiscalizar locais que fazem procedimentos invasivos são os enfermeiros e farmacêuticos da Vigilância", disse. Ele também negou interferir no trabalho da filha. "Alguém falou que, quando a Vigilância ia nas clínicas, minha filha já estava sabendo. Isso é mentira. A Vigilância não marca horário nem avisa quando vai. Vou contratar um advogado, para que peça cópia do processo [depoimentos ao MP] e apure quem disse isso. Terão de provar, senão pedirei indenização por danos morais", afirmou ao falar os jornalistas.

Nos próximos dias e, para finalizar a fase de depoimentos, a Comissão Especial da Câmara de Vereadores pretende ouvir Paulo Fernando de Moraes Nicolau e Mara Lúcia Silvestre, diretores da Clínica Psiquiátrica de Londrina e Villa Normanda, hoje afastados da suas funções por decisão judicial.  

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Entenda – Criada na primeira quinzena de março deste ano, a CE do Legislativo acompanha as investigações realizadas pelo MP decorrentes de denúncias relativas aos atendimentos realizados pelas clínicas psiquiátricas Londrina e Villa Normanda. A 24ª Promotoria de Justiça de Londrina, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), investiga diretores e funcionários das duas instituições e apura crimes diversos, como maus-tratos a pacientes, cárcere privado, desvio de recursos públicos e falsidade ideológica. Os estabelecimentos atendem pacientes pelo Sistema Único de Saúde e funcionam em um mesmo imóvel, no Jardim Shangri-lá (zona Oeste).

Com Assessoria CML

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