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Fazenda da UEM estuda impacto de pesticidas e genética de abelhas

Estudos coordenados pelo pós-doutor Vagner Arnalt de Toledo analisam desde a microbiota intestinal dos insetos até a produção de geleia real.
31 mai 2026 às 10:05
Por: Portal Tarobá

A FEI (Fazenda Experimental de Iguatemi), pertencente à UEM (Universidade Estadual de Maringá), desenvolve uma série de pesquisas científicas focadas na preservação, nutrição e melhoramento genético de abelhas. Os trabalhos dentro da reserva biológica são coordenados pelo professor Vagner Arnalt de Toledo, zootecnista e pós-doutor especialista no estudo desses insetos.


Atualmente, o espaço conta com diversas trilhas ecológicas que abrigam mais de 80 colmeias de espécies variadas. O foco da estrutura é entender a função de cada grupo na proteção da natureza e fortalecer as pesquisas sobre a apicultura e a meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão).

Linhas de pesquisa em laboratório e no campo

De acordo com o professor Vagner, os estudos desenvolvidos na fazenda experimental dividem-se em três grandes áreas técnicas:

  • Efeito de pesticidas: Parte das colmeias e das abelhas criadas na fazenda é levada para os laboratórios da UEM, em Maringá. Lá, os pesquisadores analisam os impactos dos defensivos agrícolas no trato digestivo dos insetos e na sua microbiota intestinal (os microrganismos que vivem em simbiose no intestino das abelhas).

  • Avaliação de rações: Os cientistas testam diferentes tipos de alimentação artificial para avaliar se o consumo de rações específicas aumenta a produtividade da colmeia, resultando em uma maior fabricação de mel, geleia real e no nascimento de mais abelhas rainhas.

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  • Melhoramento genético: O projeto utiliza marcadores genéticos para selecionar e reproduzir colônias que sejam naturalmente mais produtivas para mel e geleia, além de selecionar linhagens de abelhas que apresentem um comportamento mais higiênico dentro das colmeias.


Biodiversidade e a importância da polinização

O planeta Terra abriga mais de 20 mil espécies de abelhas, sendo que o Brasil conta com uma rica biodiversidade de mais de 250 espécies nativas. Na fazenda da UEM, o coordenador apresentou algumas das variedades mais comuns que vivem em potes de cera e não possuem ferrão, como as abelhas tubuna, mirim e iraí.


Durante a visita técnica às colmeias, o professor mostrou a estrutura interna dos ninhos da abelha mirim, que se assemelha a um mosquito pequeno. O interior da colônia é composto por discos de cria sobrepostos e protegidos por pilares de cera, além de uma blindagem feita com própolis, substância produzida pelas próprias abelhas a partir da coleta de resinas vegetais.


O papel desses insetos vai muito além da produção comercial de mel. O pós-doutor reforça que as abelhas são fundamentais para a sobrevivência das florestas e da agricultura por meio da polinização. Esse processo gera a formação de frutos com sementes que, ao serem espalhadas pelo homem ou por animais, garantem o nascimento de novas plantas e sustentam a base da alimentação humana.


Comportamento defensivo e convivência harmônica

A pesquisa também orienta sobre a necessidade de respeitar o espaço de trabalho dos insetos na natureza para evitar acidentes. O especialista explica que, se o espaço delas não for invadido, elas trabalham de forma tranquila, mas cada espécie possui uma estratégia de sobrevivência:


  • Abelhas sem ferrão: Usam métodos alternativos para afastar ameaças. Algumas espécies se enrolam no cabelo do invasor, outras jogam resina grudenta e há grupos que liberam uma substância química capaz de causar irritação na pele.

  • Abelhas com ferrão: É o caso das abelhas de origem europeia ou africanizadas. Elas utilizam a picada como mecanismo de defesa e atacam, de forma individual ou em enxame, quando são irritadas ou se sentem ameaçadas em seu território.

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