Um fato conhecido é como as palavras podem moldar um discurso e até mudar os rumos de acontecimentos. Mas, muito além disso, elas também influenciam a forma como os relacionamentos do dia a dia são construídos e como as pessoas são impactadas emocionalmente. No Vitrine Revista de hoje, a especialista em neurociência e comportamento humano, Michele Poggian, fala sobre a importância de se comunicar de forma consciente.
Segundo a especialista, as palavras têm a capacidade de edificar e fortalecer a autoestima, mas também podem ser destrutivas, tanto para os outros quanto para nós mesmos, especialmente por meio da autocrítica excessiva. Quando uma crítica é feita, o cérebro pode interpretá-la como um alerta, o que tende a bloquear a região responsável pelo processamento racional, fazendo com que a pessoa foque apenas na impressão negativa da fala, sem absorver possíveis pontos construtivos.
Outro ponto importante sobre as palavras ditas aos outros e a si mesmo é que o cérebro tende a aceitar essas repetições como verdadeiras, o que pode moldar comportamentos e crenças pessoais. Por isso, estar atento a falas como “sou preguiçosa” ou “sou bagunceira” é essencial para desenvolver uma percepção mais saudável de si mesmo.
As críticas são constantes e inevitáveis no dia a dia, mas saber como filtrá-las e recebê-las faz toda a diferença. Para lidar com elas de forma madura, é fundamental exercitar a escuta ativa antes de reagir impulsivamente. Também é importante analisar se a crítica realmente diz respeito a você ou se reflete apenas uma projeção do momento vivido pela outra pessoa.
Confirmar se o que foi entendido é, de fato, o que a outra pessoa quis dizer ajuda a evitar mal-entendidos. Além disso, utilizar o autoconhecimento para identificar o que faz sentido melhorar e o que deve ser descartado — por não representar quem você é — é um ponto-chave para lidar melhor com as críticas.