"Se quisesse, emagrecia." Quantas vezes você já ouviu essa frase? Pois é justamente esse mito que a Dra. Marília Boer, médica pós-graduada em Nutrologia, faz questão de derrubar nesta conversa, puxando, inclusive, um relato corajoso e sem filtro sobre a própria relação com o corpo e com a comida.
Ela é direta: obesidade é doença e tratá-la como falta de vontade é uma das coisas que mais a irritam. "Assim como na pressão alta, às vezes não basta querer, é preciso tratamento, muitas vezes medicamentoso", explica.
O que a move no consultório é ver essa transformação ir muito além da estética: pacientes com diabetes e risco cardiovascular controlados, mulheres que voltam a se vestir sem vergonha, gente que sai da depressão junto com o tratamento.
Uma das partes mais interessantes do trabalho, segundo ela, é mostrar às pacientes que a estética que buscam de início costuma esconder outra coisa, como insulina alta, gordura no fígado, e que tratar isso é o que realmente importa. Ela também trabalha bastante a comparação: muitas mulheres perseguem um corpo que a rede social vende, esculpido à custa de uma rotina que a mulher real, que trabalha e tem filhos, simplesmente não tem como sustentar. Então, colocar metas realistas na mesa é parte essencial do processo.
E a própria relação da médica com a comida? Longe de perfeita. Ela conta que já teve 30 quilos a mais e conviveu por anos com compulsão alimentar mesmo depois de emagrecer, inclusive enquanto todos ao redor achavam que, por estar magra, estava tudo bem. Hoje, depois de um tratamento de anos, ela diz se conhecer melhor e lidar com a própria doença, hoje em remissão.
Sobre os próximos passos: neste ano começou a atender em nova clínica, a Santez, com o objetivo de voltar com força total aos atendimentos, depois de um ano mais dedicado ao filho. E, quem sabe, um segundo bebê no radar.