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Santo Antônio do Sudoeste projeta economia por meio do turismo

27 mai 2026 às 16:59

Santo Antônio do Sudoeste/PR está desenhando um novo panorama para a sua economia por meio do desenvolvimento planejado do turismo regional. Conhecida historicamente como a "Capital da Fronteira" devido à forte atuação nos setores de confecção e agricultura, a cidade paranaense agora diversifica suas frentes de atuação. Fazendo divisa com a cidade homônima de San Antônio, na província de Misiones, na Argentina, o município aproveita sua posição geográfica privilegiada para estruturar rotas que integram cultura, fé, gastronomia e contato com a natureza.

 

A estruturação dessa nova matriz econômica ganhou forte impulso a partir de 2022, quando o município passou a trabalhar o turismo de forma estratégica. Os reflexos desse planejamento já se materializam no surgimento de novos empreendimentos privados e na consolidação de roteiros consolidados que atraem públicos de diferentes faixas etárias.

 

O maior da América Latina

 

O turismo religioso destaca-se como um dos pilares mais robustos do município, ancorado em uma forte identidade cultural compartilhada com o país vizinho. Ambas as cidades da fronteira compartilham o mesmo padroeiro, Santo Antônio de Pádua, o que fortalece o vínculo histórico e devocional na região trinacional.

Como grande símbolo dessa vertente, a cidade abriga uma das expressões mais imponentes de arte sacra da região. De acordo com a diretora do Departamento de Turismo de Santo Antônio do Sudoeste, Andréia Aline Bonan: "Nós temos o monumento de Santo Antônio de Pádua que tem quase 20 metros de altura. Ele é considerado o maior monumento de Santo Antônio de Pádua da América Latina no estilo barroco."

 

É a partir desse ponto de fé que se inicia a Rota dos Santuários, um percurso de peregrinação com 57 quilômetros de extensão feito inteiramente por estradas rurais. O trajeto liga Santo Antônio do Sudoeste ao município de Santa Isabel do Oeste, onde fica o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. O roteiro atrai peregrinos em busca de experiências de conexão espiritual e superação física.

Para dar suporte a esse fluxo de caminhantes, a rota conta com uma estrutura organizada de acolhimento. Ao iniciarem o trajeto, os peregrinos recebem um material de apoio técnico com mapas e orientações. Ao longo do caminho, pontos de apoio credenciados carimbam a credencial do caminhante, oferecendo suporte, alimentação e paradas para descanso. No município de Ampére, situado no meio do trajeto, há pousadas estruturadas para pernoite, permitindo que a caminhada seja realizada de forma segura em dois ou três dias, conforme o ritmo de cada participante.

 

Turismo rural e imersão na gastronomia afetiva

 

O desenvolvimento do turismo de experiência no interior do município tem gerado novas oportunidades para a agricultura familiar e para a economia criativa. Pequenas propriedades rurais adaptaram suas estruturas para receber turistas, convertendo a produção local em atrativos de valor agregado.

 

Um dos destaques desse circuito é a Vinícola Capital da Fronteira, empreendimento que reformulou totalmente seu modelo de negócios para focar no atendimento a visitantes. Anteriormente focada apenas no cultivo e venda in natura da uva, a propriedade passou a processar 100% da matéria-prima, comercializando vinhos e sucos diretamente aos turistas. O local tornou-se parada obrigatória para excursões e possui forte engajamento com o turismo voltado para a terceira idade, participando ativamente de programas governamentais como o Viaja Mais 60 e o Paraná Mais Viagens.

 

Outro ponto de forte relevância na rota é a Queijaria Due Sorelle. Idealizado por uma família que residiu por 11 anos na Itália, o espaço gastronômico traz uma forte influência culinária europeia combinada com a hospitalidade do interior paranaense. No local, os visitantes podem desfrutar de um café rural servido em etapas, que inclui pães de fermentação natural, doces artesanais e pizzas, além de terem acesso a uma trilha ecológica que leva até uma cachoeira dentro da propriedade, onde são servidas cestas de piquenique.

O fortalecimento do turismo rural trouxe impactos diretos para o sustento das famílias envolvidas. Conforme pontua a diretora Andréia Aline Bonan: "Esse pessoal da vinícola, por exemplo, eles vivem exclusivamente do turismo hoje em dia. Antigamente eles plantavam e vendiam a uva. Hoje em dia não, toda a uva é processada e comercializada na propriedade e nos pontos que eles têm."

 

Preservação da memória e a riqueza cultural do Museu da Fronteira

 

No âmbito cultural, Santo Antônio do Sudoeste abriga espaços dedicados ao resgate e à manutenção da identidade do povo fronteiriço. No centro da cidade, o Museu Municipal serve como ponto de introdução à história local para quem realiza o circuito urbano. Contudo, o grande destaque nesse segmento é o Museu da Fronteira Antônio do Santos Filho, localizado em uma propriedade do tipo chácara.

 

O complexo cultural reúne um acervo com mais de 7 mil itens históricos que remontam ao cotidiano, aos costumes e à formação social dos povos da fronteira. O espaço conta com uma horta orgânica, áreas para eventos e uma capela construída em madeira que abriga uma rica coleção de arte sacra antiga, incluindo imagens e mobiliários centenários.

A diretora destaca a relevância do acervo para a preservação regional: "É um amplo espaço com mais de 7 mil itens que contam a história do povo da fronteira. É incrível e vale a pena a visita mesmo, porque os itens são de uma importância histórica muito grande para a memória do povo daqui."

 

Expansão hoteleira e o potencial do turismo de compras

 

A consolidação de todas essas vertentes turísticas impulsionou o crescimento da infraestrutura urbana de Santo Antônio do Sudoeste. O turismo de compras, alimentado pelo fluxo constante de visitantes que buscam produtos argentinos no comércio de fronteira, atua de forma complementar aos roteiros rurais e religiosos.

 

Esse dinamismo gerou reflexos diretos na rede hoteleira, que passa por um ciclo de investimentos e modernização para acompanhar a demanda crescente por leitos. Os meios de hospedagem tradicionais e as pousadas instaladas no entorno rural registram aumento na procura. Um dos principais hotéis do município expandiu recentemente sua estrutura de atendimento e conta com um bistrô anexo de gastronomia refinada, que se tornou referência na região.

 

Com o avanço do setor, o município registra um interesse crescente de novos proprietários rurais em integrar as rotas existentes, buscando capacitação para adequar suas terras ao modelo de receptivo turístico.

 

"O turismo em Santo Antônio está em expansão. Cada vez mais a gente percebe que as pessoas estão buscando se informar a respeito de como funciona o turismo e como conseguir inserir essa questão na sua propriedade. Temos mais propriedades interessadas em fazer parte da nossa rota", conclui Andréia Aline Bonan.

 

Como chegar a Santo Antônio de carro

 

Saindo de Foz do Iguaçu - Pelo Brasil (via BR-277): é o caminho tradicional pela BR-277 até a região de Cascavel e, de lá, desce em direção ao Sudoeste, passando por cidades regionais como Francisco Beltrão. A distância é de 269 km e não tem pedágio neste percurso.

 

Pela Argentina (alternativa de fronteira): exige atenção aos trâmites aduaneiros. Cruza a fronteira para Puerto Iguazú até a província de Misiones. A distância é de 180 km e o tempo estimado é de cerca de 3 horas de viagem de carro.

 

Saindo de Curitiba - A distância varia de aproximadamente 590 km a 610 km (dependendo das escolhas de acessos e contornos). A rota principal também utiliza a BR-277, cruzando o interior do estado e passando por Ponta Grossa e Guarapuava.

 

Legenda foto de capa: Monumento de Santo Antônio de Pádua, foi construída em 1974 por Ângelo Novi, estilo que lembra o barroco. É uma das maiores estátuas deste santo no Brasil, com 19,6m de altura.

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