Cenipa vai apurar incidente que quase provocou colisão no aeroporto de SP

18 ago 2026 às 07:40

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou nesta segunda-feira (17) que agentes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foram enviados de Brasília para investigar o incidente envolvendo um avião da Latam no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.


O caso aconteceu no sábado (15), quando um Airbus A320, de matrícula PR-MHM, iniciou a corrida de decolagem sem autorização do controle de tráfego aéreo. No mesmo momento, dois outros aviões haviam sido autorizados a cruzar a pista.


O controlador percebeu a situação e determinou que a tripulação abortasse a decolagem imediatamente.


Investigação começa com coleta de dados


Segundo a FAB, os investigadores do Cenipa estão na primeira etapa da apuração. Neste momento, são coletados dados e informações sobre o incidente, que serão usados nas próximas fases da investigação.

O objetivo é identificar possíveis fatores que contribuíram para a ocorrência e, se necessário, elaborar recomendações de segurança para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.



Avião chegou a 129 km/h



O incidente ocorreu por volta das 8h25 de sábado e envolveu o voo LA8019, que seguia de Guarulhos para Mendoza, na Argentina.


Gravações da comunicação entre a tripulação e a torre mostram que o avião havia recebido autorização para decolar pela pista 10L. Pouco depois, porém, o controlador cancelou a autorização.


O piloto confirmou ter recebido a orientação.


Na sequência, a torre autorizou um Boeing 787-8 da American Airlines e um Airbus A330-900 da Delta Air Lines a cruzarem a mesma pista durante o taxiamento.


Mesmo após o cancelamento, o avião da Latam iniciou a corrida de decolagem.


Dados analisados pela reportagem a partir do site Flightradar24 indicam que o Airbus chegou a aproximadamente 129 km/h.


Quando os outros dois aviões começaram a cruzar a pista, o controlador chamou novamente a tripulação da Latam e determinou a interrupção da decolagem.


O piloto respondeu que havia abortado a decolagem.


Depois da ocorrência, houve uma divergência entre o controlador e o piloto sobre o momento em que a autorização havia sido cancelada.


A NAV Brasil, responsável pela Torre de Controle do Aeroporto de Guarulhos, confirmou que o voo iniciou a corrida sem autorização e que os dois outros aviões estavam autorizados a cruzar a pista.

Segundo a empresa, o controlador percebeu a situação e interveio imediatamente, seguindo os procedimentos previstos.


O avião retornou à fila de espera e posteriormente decolou para Mendoza com mais de 40 minutos de atraso.


A Latam informou que a decolagem foi interrompida após solicitação do controle de tráfego aéreo e que o procedimento ocorreu com segurança. A companhia afirmou ainda que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.



A GRU Airport, concessionária responsável pelo aeroporto, informou que o incidente não afetou as operações de pousos e decolagens.


Caso lembra tragédia de Tenerife


O episódio também chama atenção para um dos acidentes mais graves da história da aviação.

Em 1977, dois Boeing 747 colidiram na pista do aeroporto de Los Rodeos, atual Tenerife Norte, nas Ilhas Canárias, na Espanha.


Na ocasião, um avião da companhia holandesa KLM iniciou a decolagem enquanto outro Boeing 747, da americana Pan Am, ainda estava na pista.


A colisão matou 583 pessoas, no maior acidente da história da aviação em número de vítimas.


Entre os fatores apontados na investigação estava uma falha de comunicação entre pilotos e controladores. Após a tragédia, procedimentos e formas de comunicação da aviação foram aprimorados para reduzir o risco de ocorrências semelhantes.

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