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Brasil sofre no BAFTA, mas Flávia Guerra mantém otimismo para o Oscar

23 fev 2026 às 13:50

A premiação do BAFTA 2026, realizada neste final de semana, trouxe resultados frustrantes para o cinema brasileiro. O filme "O Agente Secreto", uma das grandes apostas do país, foi derrotado nas duas categorias em que concorria: Melhor Roteiro Original e Melhor Filme em Língua Não Inglesa. Além dele, "Sonhos de Trem", que tinha o brasileiro Adolfo Veloso indicado em Melhor Fotografia, também não conquistou a estatueta.


A jornalista especializada em cinema e documentarista Flávia Guerra analisou os resultados em entrevista à BandNews TV. Para ela, apesar do revés na Academia Britânica, o Brasil continua no páreo para as próximas premiações da temporada. "A gente não está baixando a bola para o Oscar. Continuamos no jogo", afirmou a especialista.


O favoritismo europeu no BAFTA

Segundo Flávia Guerra, a derrota de "O Agente Secreto" para o norueguês "O Valor Sentimental" pode ser explicada pelo perfil dos votantes. Por ser uma premiação da Academia Britânica, há uma tendência natural de valorização do mercado europeu. "O Valor Sentimental é um filme norueguês e o público britânico se identifica mais. É uma questão de mercado", avaliou.

Outro fator determinante foi o tempo de exposição da obra no Reino Unido. Enquanto os concorrentes já acumulavam meses de "burburinho", o longa brasileiro estreou em solo britânico há pouco mais de duas semanas. "A campanha de um filme está muito relacionada ao 'timing'. O filme precisa ser visto e comentado pelos votantes na plataforma do prêmio", explicou Guerra.

Fotografia e a força de "Uma Batalha Após a Outra"

Na categoria de Melhor Fotografia, a derrota de Adolfo Veloso ("Sonhos de Trem") foi vista como discutível pela especialista. Flávia ressaltou que o trabalho de Veloso com luz natural foi "impecável" e serviu para tornar a natureza uma personagem central da trama. No entanto, o vencedor da noite foi "Uma Batalha Após a Outra", que também levou o prêmio de Melhor Filme.

"Os prêmios muitas vezes são retratos do que o mundo está vivendo. 'Uma Batalha Após a Outra' é o filme do momento, está mobilizando corações e mentes", analisou a jornalista. Ela destacou que, embora a fotografia de Veloso fosse tecnicamente superior e mais intimista, o concorrente venceu pelo conjunto da obra e por sua temática forte e atual.

O terror real por trás de "Pecadores"

A entrevista também abordou o fenômeno "Pecadores", drama racial que utiliza elementos de terror histórico. Flávia Guerra explicou que o diretor Ryan Coogler usa a alegoria do vampirismo para tratar de um horror real: a escravidão. "O que é mais vampiresco do que a escravidão, que sugou a dignidade e a energia de tantos povos africanos por séculos?", questionou.

Para ela, o filme acerta ao dialogar com o público jovem por meio do entretenimento, sem perder a profundidade. Ela destacou uma cena específica que resume séculos de história em um número de dança, classificando a direção de Coogler como genial ao equilibrar ancestralidade e elegância.

“Frankenstein” e “Hamnet”

Outros destaques do BAFTA incluíram "Frankenstein", de Guillermo del Toro, vencedor em Design de Figurino. Flávia ressaltou o caráter artesanal da produção, que evitou ao máximo o uso de efeitos especiais (CGI). "É um filme feito com a mão, com o artesanato do cinema. Del Toro queria que o público tivesse a sensação de ver uma ópera", afirmou.

Já na categoria de Melhor Atriz, o favoritismo de Jessie Buckley por "Hamnet" se confirmou. O filme, que narra os eventos que antecederam a escrita de "Hamlet" por William Shakespeare, foi elogiado pela carga emocional. "O filme leva a gente para um lugar de vulnerabilidade. O Oscar para Jessie já é dado", concluiu a especialista, antecipando o clima para a maior festa do cinema mundial.

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