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Empate no Oscar é raridade: história registra apenas sete casos

16 mar 2026 às 14:22

O empate registrado na categoria de Melhor Curta-Metragem entre The Singers e Two People Exchanging Saliva não é apenas uma curiosidade desta edição, mas um evento histórico. Em quase 100 anos de premiação, esta é apenas a sétima vez que a Academia precisa entregar duas estatuetas para uma mesma categoria. O sistema de apuração é tão rigoroso que a probabilidade de dois filmes terminarem com o número exato de votos é mínima, tornando o anúncio de 2026 um momento para os livros de recordes.


A história dos empates no Oscar começou em 1932, na categoria de Melhor Ator, e passou por momentos icônicos, como em 1969, quando Barbra Streisand e Katharine Hepburn dividiram o prêmio de Melhor Atriz. Outros registros ocorreram em 1950 (Curta-metragem), 1987 (Documentário), 1995 (Curta-metragem) e, mais recentemente, em 2013, na categoria de Edição de Som. O hiato de 13 anos sem uma igualdade de votos reforça o quão equilibrada e disputada foi a safra de produções de curta duração neste ano.


A discussão sobre o empate surgiu em meio a análises sobre o comportamento de veteranos, como Sean "Champagne" Penn. Comentou-se nos bastidores que atores desse calibre, já consagrados e com estatuetas em casa — Champagne inclusive doou um de seus Oscars para o presidente da Ucrânia —, atingiram um estágio na carreira onde o prêmio individual parece secundário diante da obra. No caso dos curtas vencedores, o empate serve como uma celebração democrática: enquanto um explora o terror sombrio, o outro aposta no experimentalismo, e a Academia, em uma rara decisão, entendeu que ambos atingiram a perfeição técnica.


Para o público, o empate quebra o clima de competição agressiva e humaniza a premiação. Ver dois talentos subindo ao palco para dividir o reconhecimento máximo da indústria é um lembrete de que, por trás das planilhas de votos, a arte pode ser tão impactante que se torna impossível de ser ranqueada. Com este resultado, o Oscar 2026 entra para a seleta lista de cerimônias que desafiaram a lógica da vitória única em nome da justiça artística.


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