Morreu na madrugada desta quarta-feira (30), Mário Ferroni, ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira.
Ferroni, aos 104 anos, era o último ex-combatente da 2ª Guerra Mundial vivo na região Oeste. O velório está sendo realizado na Capela Central da Acesc e o sepultamento está marcado para às 16h30, no Cemitério Central.
Orgulho de ter lutado pelo Brasil
Com 24 anos de idade, Mário Ferroni embarcou para a Itália, onde foi um dos milhares de brasileiros que lutaram ao lado dos Aliados na campanha da Itália contra os alemães. A famosa batalha de Monte Castello durou 3 meses e terminou em fevereiro de 1945 com a vitória dos aliados no norte da Itália. Ferroni se orgulha de ter representado o Brasil neste momento histórico.
Ele integrou grupamento comandado pelo general-de-divisão João Batista Mascarenhas de Morais, enviado à Europa para combater ao lado dos Aliados (França, Inglaterra, Estados Unidos e União Soviética). O conflito bélico foi travado contra os países do Eixo, formado por Alemanha, Itália e Japão.
Do contingente de pracinhas da FEB, colegas de agruras de Ferroni, 451 morreram, 1.145 tombaram feridos em combate, 35 foram feitos prisioneiros, dez foram sepultados como “soldados desconhecidos” (estavam irreconhecíveis) e outros 19 jamais foram localizados.
“Passei o inverno inteiro entrincheirado em posição de combate, com temperaturas sempre abaixo de zero. Quando a primavera chegou e o tempo melhorou, veio o comando para subirmos o morro e enfrentar os alemães que estavam lá no alto. Muitos amigos do meu pelotão tombaram mortos. A gente se obrigava a matar para não morrer. Subia sem medo, pois o medo aniquila. Os alemães recuaram para a divisa com a França e depois se entregaram”, relata o pracinha.
Ferroni era operador da metralhadora .50. Não sabe – ou não quis dizer – quantos alemães morreram nas rajadas que disparou. Ele não quer se vangloriar da morte. Antes pelo contrário, responde com uma frase de silenciar o campo de batalha: “A guerra é uma coisa muito triste, a gente mata sem ódio”.
O soldado Ferroni combateu até a rendição alemã, em maio de 1944. Retornou para Santa Catarina sem um único ferimento, um único arranhão sequer. Casou-se com Cacilda Roman (in memorian), com quem teve quatro filhos, dois deles cascavelenses, já que passou a morar aqui em 1953, atraído pelo ciclo da madeira. Tem ainda 8 netos, 6 bisnetos e 1 tataraneto. Extraído de reportagem do jornal Pitoco.
(Assessoria de Imprensa/CMC)