Descoberto quase por acaso na Colônia Esperança, em Arapongas, no Norte do Paraná, o abacate da variedade Margarida conquistou espaço em lavouras de diferentes regiões do Brasil. O fruto chama a atenção principalmente pela durabilidade após a colheita e agora busca o reconhecimento oficial de Indicação Geográfica (IG) pelo Governo Federal.
A história da variedade está ligada ao agricultor Miguel Makiyama, de 89 anos, pioneiro da comunidade. Ele chegou à Colônia Esperança em 1940 e participou da construção da comunidade local.
Descoberta da variedade
O interesse de Miguel pelo cultivo de abacates surgiu após conversas com o Padre Domingos Nakamura. Ao conhecer a fruta, o agricultor passou a cultivá-la e acabou identificando em sua propriedade uma variedade com características diferentes.
A partir daí, Makiyama passou a selecionar e clonar as mudas. O cultivo, que começou com poucas plantas, cresceu ao longo dos anos.
Atualmente, a propriedade possui 8 alqueires e mais de 700 pés de abacateiros.
Fruto tem longa durabilidade
Um dos principais diferenciais do abacate Margarida é a durabilidade de 15 a 20 dias após a colheita. A característica facilita o transporte e amplia as possibilidades de comercialização, inclusive para o mercado externo.
A variedade foi validada por instituições de pesquisa e se espalhou para diferentes regiões do país com apoio de órgãos ligados à agricultura, entre eles a Seagri, o Ministério da Agricultura e o Iapar.
Homenagem à família
O nome da variedade é uma homenagem à esposa de Miguel, Dona Margarida Makiyama.
A denominação também faz referência ao termo japonês "marui", associado ao formato arredondado característico do fruto.
Busca por Indicação Geográfica
Agora, produtores e representantes ligados à cultura buscam o reconhecimento do abacate Margarida como uma Indicação Geográfica pelo Governo Federal.
A certificação pode valorizar a origem, a história e as características associadas à variedade cultivada na região de Arapongas.
Além de reconhecer o produto, a iniciativa também busca preservar o legado deixado pelo trabalho de Miguel Makiyama e pela comunidade da Colônia Esperança.