O Brasil consolida cada vez mais sua posição de liderança no mercado mundial de fibras, figurando entre os maiores produtores e exportadores de algodão do planeta. A produção nacional não apenas abastece a indústria têxtil interna, mas também alcança parceiros estratégicos como China, Vietnã, Bangladesh, Turquia e países da União Europeia.
Nesse cenário competitivo, a sustentabilidade deixa de ser um diferencial para se tornar um pré-requisito de acesso aos mercados mais exigentes. O setor produtivo investe pesado em boas práticas agrícolas para garantir que a roupa que chega ao consumidor final tenha uma origem responsável.
Um exemplo desse movimento é a atuação do Grupo Bom Jesus. A empresa se destaca ao alinhar sua produção aos critérios de rastreabilidade e responsabilidade socioambiental, conectando o trabalho no campo às vitrines da moda internacional.
O ciclo da certificação e boas práticas
Para garantir a transparência do processo, o setor adota certificações rigorosas. A produção do grupo, por exemplo, possui o selo ABR/BCI (Algodão Brasileiro Responsável / Better Cotton Initiative). Essa certificação é fundamental pois atesta que o cultivo respeita três pilares essenciais: o social, o ambiental e o econômico. Na prática, isso significa que a pluma foi produzida com redução de impactos ao solo e à água, além de assegurar condições justas de trabalho no campo.
Outro ponto de atenção é o beneficiamento. Esta etapa ocorre após a colheita, quando o algodão passa por processos industriais para a separação da fibra e das sementes, além da limpeza das impurezas. Nesta fase, a certificação ABR/UBA (Unidade de Beneficiamento de Algodão) garante que as indústrias de processamento também sigam padrões técnicos elevados. Isso assegura a qualidade da fibra que será fiada e transformada em tecido.
Impacto nos negócios e rastreabilidade
Investir em algodão sustentável é uma decisão que impacta diretamente a receita e a longevidade dos negócios rurais. A pressão por cadeias produtivas éticas parte dos próprios consumidores e das grandes marcas de vestuário.
Mauro Loro, diretor comercial do Grupo Bom Jesus, destaca a relevância econômica dessa estratégia para a companhia. Segundo o executivo, o algodão representa hoje cerca de 35% das receitas do grupo. “Na Bom Jesus, 100% do algodão que produzimos é certificado. Os processos de certificação garantem rastreabilidade, qualidade e responsabilidade socioambiental à nossa cadeia produtiva, além de ampliar nossa competitividade em mercados cada vez mais exigentes”, afirma Loro.
Transparência da porteira para fora
A conformidade com normas ambientais e sociais funciona como um passaporte para a exportação. A materialização da sustentabilidade ocorre no dia a dia da lavoura, mediante o uso eficiente de recursos naturais. Bianca Cumpian, gerente de sustentabilidade do Grupo Bom Jesus, explica que os elos da cadeia devem seguir critérios consistentes. Para ela, a certificação traduz o esforço do produtor em confiança para o comprador. “A certificação é a materialização de como a sustentabilidade acontece no dia a dia, do plantio ao beneficiamento. Na prática, isso significa um algodão rastreável, garantindo transparência e confiança para o mercado”, acrescenta a gerente.
Com foco em inovação e eficiência, o agronegócio brasileiro segue fortalecendo a imagem do país como um fornecedor seguro e sustentável, capaz de atender à complexa demanda da indústria da moda global.