Agro

Alta do boi gordo reduz diferença de preços para reposição

22 out 2026 às 09:05

O preço do boi gordo subiu mais que o do boi magro na parcial de outubro, até o dia 20, reduzindo a diferença entre as cotações das duas categorias em relação a setembro. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento pode melhorar a atratividade econômica da terminação intensiva de bovinos, embora a decisão de confinar também dependa dos demais custos da atividade.


A diferença entre os preços dos animais para reposição e dos bois prontos para o abate é um dos fatores considerados pelos pecuaristas ao avaliar a rentabilidade da engorda.


Menor oferta impulsiona o boi gordo


De acordo com pesquisadores do Cepea, a valorização do boi gordo está relacionada à oferta mais restrita de animais prontos para abate e às escalas de abate mais curtas dos frigoríficos.


Com menor disponibilidade de bovinos terminados, a indústria enfrenta dificuldades para ampliar a programação de abates, o que contribui para sustentar as cotações.


Boi magro também acumula alta


O boi magro, utilizado na reposição dos animais destinados à engorda, também apresenta valorização desde o início do ano. Segundo o Cepea, o movimento está associado à menor disponibilidade de animais para reposição e à alta do boi gordo.


Quando as perspectivas de remuneração da pecuária melhoram, aumenta o interesse dos produtores em adquirir animais para engorda, o que pode elevar a demanda por bovinos de reposição.


Na parcial de outubro, porém, o avanço mais intenso do boi gordo reduziu a diferença entre os preços das duas categorias em comparação com setembro.


Confinamento depende dos custos e da demanda


Apesar da melhora na relação entre as cotações, o Cepea ressalta que a atratividade do confinamento não depende apenas dos preços de compra e venda dos animais. Também entram no cálculo despesas com alimentação, mão de obra, instalações, sanidade e outros custos de produção.


Para os próximos meses, a evolução do mercado dependerá da oferta de bovinos prontos para abate, do ritmo de compras dos frigoríficos e do escoamento da carne.


A aproximação das festas de fim de ano pode favorecer o consumo interno, mas o poder de compra das famílias e a concorrência com outras proteínas podem limitar a capacidade de repasse de aumentos de preços ao longo da cadeia.


Nesse cenário, os pecuaristas devem acompanhar tanto as cotações do boi gordo e do boi magro quanto os custos da engorda antes de definir novos investimentos em confinamento.

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