Agro

Arroz deve seguir com preços baixos após safra recorde e estoques

21 jan 2026 às 14:24
mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul mantém uma tendência de pressão nos preços, mesmo com uma oferta imediata considerada mais restrita no curto prazo. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a priorização de contratos de exportação por parte dos produtores gaúchos tem limitado o volume do grão disponível para comercialização interna imediata.

Entretanto, fatores estruturais como o aumento dos estoques iniciais brasileiros e a perspectiva de ampla oferta global para a safra 2025/26 reforçam a tendência de baixa ao longo da cadeia produtiva. O cenário é positivo para o controle da inflação do alimento nos próximos meses.

Exportações limitam oferta imediata no campo

A restrição pontual na oferta gaúcha é explicada pelo comportamento dos rizicultores, que estão focados em honrar compromissos internacionais. Essa estratégia reduz a disponibilidade do arroz beneficiado (o grão que já passou pela indústria e está pronto para o consumo) no mercado interno.


Apesar disso, os pesquisadores do Cepea alertam que essa "escassez" é pontual. A médio prazo, o cenário é de abundância, pois os estoques iniciais no Brasil apresentam crescimento. Esse volume guardado garante segurança no abastecimento e atua como um freio para valorizações acentuadas no campo.

Recorde na produção mundial favorece consumidor

No cenário internacional, os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam para uma temporada de alta disponibilidade. A produção mundial de arroz é estimada em 541,16 milhões de toneladas, um volume robusto que impacta diretamente as cotações globais e desencoraja altas bruscas.

Os embarques globais também devem crescer significativamente. De acordo com o órgão norte-americano, as projeções indicam que 62,8 milhões de toneladas de arroz beneficiado circularão no comércio mundial, um aumento de 5,2% em relação à temporada anterior.

O que esperar para os preços em 2026

Essa combinação de estoques internos elevados e safra global recorde sinaliza uma ampla disponibilidade estrutural para 2025 e 2026. Para o setor, isso significa que, apesar de gargalos momentâneos de logística ou contratos específicos de exportação, o mercado não deve enfrentar desabastecimento.

O Rio Grande do Sul, principal estado produtor do Brasil, continua sendo o termômetro das cotações. Contudo, o fluxo de exportação e a entrada da nova safra mundial serão determinantes para manter o equilíbrio entre o preço pago ao produtor e o valor final nas prateleiras dos supermercados.