Agro

Baixa oferta de tilápia no campo provoca alta de preços para o consumidor

16 mai 2026 às 12:19

Os preços da tilápia seguem em trajetória de alta durante o mês de abril, impulsionados pela baixa oferta do peixe no mercado brasileiro. Embora o movimento de alta continue, pesquisadores indicam que o avanço ocorre com menor intensidade em comparação ao mês anterior, refletindo um cenário de ajuste entre a produção limitada e as variações na procura.


A sustentação dos valores atuais deve-se, primordialmente, à oferta restrita na ponta da produção rurais. Por outro lado, a demanda apresentou comportamentos distintos: enquanto os frigoríficos reduziram o ritmo de compras, as feiras livres mantêm a procura aquecida, com os consumidores buscando, preferencialmente, peixes mais pesados.

Dinâmica de mercado e exportações


De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o arrefecimento da demanda por parte da indústria processadora em abril impediu uma valorização ainda mais agressiva da tilápia. No entanto, o mercado interno de varejo direto, como o das feiras, segue absorvendo a produção disponível, garantindo liquidez ao produtor que dispõe de lotes prontos para o abate.


No front externo, o cenário é de retração. Os embarques de tilápia e seus produtos secundários registraram queda em abril, tanto em volume total quanto em faturamento. Os Estados Unidos permanecem como o principal destino da proteína brasileira, embora as compras norte-americanas tenham sido inferiores às registradas no mesmo período do ano passado.


Desafios na piscicultura


O setor de piscicultura enfrenta o desafio de equilibrar os custos de produção com a capacidade de absorção do mercado consumidor. A tilápia é a principal espécie cultivada no Brasil, e a entressafra — ciclo que compreende o intervalo entre as grandes colheitas ou períodos de menor crescimento biológico do animal — costuma influenciar diretamente a disponibilidade do produto nas gôndolas.


Especialistas do setor ressaltam que a manutenção dos preços em níveis elevados é uma resposta direta à escassez de lotes de peixes maiores. Para o consumidor final, o impacto é sentido diretamente no bolso, uma vez que a menor oferta no campo pressiona os preços em toda a cadeia logística até chegar às feiras e supermercados.


A expectativa para os próximos meses depende da recuperação do volume de produção e da retomada do fôlego nas exportações, essenciais para equilibrar a balança comercial do agronegócio brasileiro no segmento de pescados.

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