Agro

Baixa oferta e demanda da China mantêm preços do boi gordo em alta

02 jul 2026 às 09:53

O mercado pecuário brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2026 com um cenário diferente do comportamento historicamente observado no setor. A combinação entre a baixa oferta de boi gordo, a valorização do bezerro, a elevada participação das fêmeas nos abates e a forte demanda internacional pela carne bovina brasileira sustentou as cotações ao longo dos primeiros seis meses do ano.


De acordo com pesquisadores do Cepea, esse conjunto de fatores garantiu valorização em praticamente todos os segmentos da cadeia pecuária, contrariando a tendência sazonal de queda dos preços normalmente registrada no período.


Em junho, o Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ, referência para o mercado paulista, apresentou média de R$ 347,59 por arroba, valor 4,6% superior aos R$ 332,14 registrados em janeiro, considerando a correção pelo IGP-DI.


Arroba do boi gordo atingiu pico em abril


Segundo o levantamento do Cepea, o maior valor pago pela arroba do boi gordo em 2026 foi registrado em abril, quando a média atingiu R$ 365,93 no estado de São Paulo.


O movimento foi impulsionado principalmente pela transição entre a safra e a entressafra pecuária, período tradicionalmente marcado pela redução da oferta de animais prontos para abate.


Demanda da China segue sustentando o mercado


Outro fator determinante para o desempenho do setor foi o forte ritmo das exportações de carne bovina brasileira, especialmente para a China, principal destino internacional da proteína produzida no país.


A demanda aquecida do mercado externo ajudou a equilibrar a menor disponibilidade interna de animais terminados, contribuindo para a manutenção das cotações em patamares elevados.


Comportamento contrariou a série histórica


Segundo a série histórica do Cepea, iniciada em 1997, a maior parte dos anos registra queda nos preços da arroba entre janeiro e junho, reflexo do aumento da oferta de animais para abate durante esse período.


Em 2026, no entanto, o comportamento foi inverso. A restrição da oferta e o aquecimento das exportações fizeram com que o setor registrasse valorização justamente em um semestre tradicionalmente marcado por recuos nos preços.


A expectativa do mercado agora está voltada para o comportamento da oferta durante a segunda metade do ano e para a continuidade da demanda internacional pela carne bovina brasileira.

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