Agro

Brasil bate recorde histórico na exportação de ovos em 2025; veja números

08 jan 2026 às 15:43

O setor de ovos brasileiro alcançou um marco inédito em 2025. As exportações brasileiras do produto — considerando produtos in natura e processados — totalizaram 40.894 toneladas nos 12 meses do ano. O volume representa um recorde histórico e supera em 121,4% o total embarcado em 2024, quando foram registradas 18.469 toneladas. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (8) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Além do volume físico, o desempenho financeiro do setor também atingiu o maior nível já registrado.


A receita acumulada no ano chegou a US$ 97,24 milhões. O montante é 147,5% superior ao obtido no ano anterior, que fechou com US$ 39,28 milhões. O resultado consolida a estratégia de internacionalização da proteína brasileira, que vem ganhando espaço em mercados exigentes.


Desempenho no fim do ano


O ritmo aquecido se manteve até o último mês de 2025. Apenas em dezembro, o Brasil exportou 2.257 toneladas de ovos. O número é 9,9% maior em relação ao mesmo período de 2024, que registrou 2.054 toneladas. Em faturamento mensal, a alta foi ainda mais expressiva, chegando a 18,4%. As vendas externas de dezembro renderam US$ 5,11 milhões, contra US$ 4,31 milhões no mesmo mês do ano anterior.


Estados Unidos e Japão lideram compras


O mapa das exportações brasileiras sofreu alterações importantes ao longo do ano, impulsionado por questões sanitárias globais e abertura de novos mercados. Os Estados Unidos encerraram 2025 como o principal destino do ovo brasileiro, com um volume acumulado de 19.597 toneladas. Esse número representa uma alta impressionante de 826,7% em comparação a 2024.


Na sequência, aparece o Japão, importando 5.375 toneladas (+229,1%). Outros destaques incluem:

  • Chile: 4.124 toneladas (queda de 40%);
  • México: 3.195 toneladas (alta de 495,6%);
  • Emirados Árabes Unidos: 3.097 toneladas (alta de 31,5%).

Análise: mudança de rotas e valor agregado


Ricardo Santin, presidente da ABPA, avalia que o ano foi dividido em dois momentos distintos para o setor exportador.  No entanto, esse movimento perdeu força após a imposição de tarifas comerciais ("tarifaço") por parte do governo norte-americano.


"Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano", analisa o presidente da entidade.


Impacto no mercado interno e Quaresma


Mesmo com o recorde nas vendas externas, o abastecimento do mercado doméstico não foi comprometido. Os volumes exportados representaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos. Isso significa que o mercado brasileiro continua absorvendo cerca de 99% do que é produzido nas granjas do país. Para o consumidor, esse dado é relevante pois indica que a oferta interna permanece estável.


A expectativa da ABPA é que o fluxo de exportações se mantenha positivo em 2026. Santin destaca ainda o cenário para os próximos meses, citando o clima quente do início do ano e a proximidade da Quaresma — período em que o consumo de ovos tradicionalmente aumenta devido às restrições ao consumo de carne vermelha por parte dos católicos.


Esses fatores, somados à consolidação da cultura exportadora, devem contribuir para o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno, favorecendo a sustentabilidade econômica do produtor rural.