A produção brasileira de café deve atingir o recorde histórico de 66,7 milhões de sacas em 2026, o que abre caminho para uma possível redução de preços ao consumidor final no Brasil. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (21) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), indicam um aumento de 18% em relação à temporada passada. Este aumento na oferta é fundamental para recompor os baixos estoques internos, fator que pressionou a inflação do grão nos últimos meses.
O desempenho histórico projetado para 2026 é impulsionado pelo ciclo de bienalidade positiva, característica natural do cafeeiro de alternar um ano de grande florescimento e produção com outro de menor carga, permitindo a recuperação fisiológica da planta. Além do fenômeno biológico, a Conab destaca que o clima favorável e a entrada de novas áreas em produção contribuíram para o resultado. A área total destinada à cafeicultura cresceu 3,9%, alcançando 2,34 milhões de hectares. A produtividade média nacional também apresenta recuperação expressiva de 13%, estimada em 34,4 sacas por hectare. O café arábica, espécie mais consumida em misturas finas e cafés gourmets, lidera a expansão com previsão de 45,8 milhões de sacas, um salto de 28% sobre o ano anterior. Já o café conilon (também chamado de robusta ou canephora), muito utilizado na indústria de café solúvel e em blends tradicionais, deve somar 20,9 milhões de sacas.
Impacto no mercado e no bolso do brasileiro
A perspectiva de uma colheita recorde é um sinal positivo para o controle de preços nos supermercados. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras caíram 22,5% entre janeiro e abril de 2026 justamente pelo baixo nível dos estoques internos.
Com menos café disponível nos armazéns nacionais após safras limitadas nos anos anteriores, o preço da saca subiu, refletindo diretamente no custo do café torrado e moído para as famílias. A entrada desse novo volume recorde no segundo semestre de 2026 deve normalizar o abastecimento doméstico. Mesmo com a demanda mundial aquecida, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê que a produção global também subirá 2%. Para os especialistas, embora as cotações internacionais sigam firmes, a maior disponibilidade do grão no mercado brasileiro tende a estabilizar ou reduzir o valor final das embalagens de 500g nas prateleiras.
Desempenho regional liderado por Minas Gerais
Minas Gerais consolida sua posição como o maior estado produtor de café do país. A estimativa para o território mineiro é de 33,4 milhões de sacas, um aumento de 29,8% em comparação ao ciclo anterior. O bom resultado é justificado pela melhor distribuição das chuvas nos meses que antecederam a floração. No Espírito Santo, segundo maior produtor nacional, a projeção é de 18 milhões de sacas, alta de 3%. O estado capixaba registrou crescimento expressivo na produtividade do arábica, embora as lavouras de conilon tenham sofrido um leve recuo de 4,2% devido a temperaturas abaixo da média durante o ciclo produtivo.
Outros destaques regionais incluem São Paulo, com colheita exclusiva de arábica estimada em 5,9 milhões de sacas (alta de 24,6%), e Rondônia, que deve colher 2,8 milhões de sacas de conilon. Na Bahia, o investimento em manejo e a regularidade climática garantem uma expectativa de 4,7 milhões de sacas.