A China anunciou nesta terça-feira (20) a suspensão do embargo às importações de carne de frango produzida no Rio Grande do Sul. A restrição estava em vigor desde julho de 2024, após a confirmação de um foco da Doença de Newcastle no município de Anta Gorda. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) confirmaram o recebimento da notificação oficial das autoridades chinesas.
A decisão encerra um isolamento comercial que afetava especificamente o estado gaúcho, uma vez que as exportações do restante do país já haviam sido normalizadas anteriormente. Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, os sistemas técnicos já indicavam a liberação das compras desde a última sexta-feira (16).
Em nota, a ABPA se manifestou ressaltando a importância do mercado chinês. “A China é um dos principais destinos da carne de frango do Brasil, com papel estratégico para o equilíbrio do comércio internacional do setor. A retomada do fluxo específico do Rio Grande do Sul reforça a confiança das autoridades chinesas no rigor técnico, na transparência e na capacidade de resposta do Brasil diante de eventos sanitários”.
Retomada do mercado
Antes do embargo, o mercado chinês era destino de aproximadamente 6% das exportações gaúchas de carne de frango. Com a liberação, o setor produtivo projeta não apenas retomar esse patamar, mas superá-lo ao longo de 2026. A demora na retirada da restrição ocorreu devido a novos desafios sanitários, como um caso pontual de gripe aviária em Montenegro (RS), registrado em maio de 2025.
A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral que atinge aves e pode causar perdas econômicas severas na avicultura. No entanto, os protocolos rigorosos de biosseguridade e o monitoramento contínuo realizados pelo Mapa garantiram a segurança sanitária necessária para a reabertura do mercado chinês.
Impacto no agronegócio
A reabertura é vista como um alívio para a economia do Rio Grande do Sul, que possui uma das cadeias produtivas de proteína animal mais fortes do Brasil. O retorno das vendas para a China, principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro, deve impulsionar as cotações e garantir maior previsibilidade para os produtores da porteira para dentro.
O setor de proteína animal brasileiro continua sob vigilância constante para manter os mercados internacionais abertos, focando na agilidade do serviço de inspeção e na transparência dos dados sanitários. Até o momento, o site oficial do Ministério da Agricultura ainda não publicou a nota técnica completa, embora a confirmação já tenha sido dada por secretários da pasta.