A produção de banana nanica no Brasil, especialmente no sudoeste goiano, enfrenta um cenário atípico no início de 2026.
Apesar de o consumidor encontrar a fruta com valores elevados nos supermercados, no campo a realidade é de margens apertadas para o produtor rural. A falta de chuvas e as variações de temperatura afetam tanto a oferta quanto a estética da fruta. Em períodos de frio, a banana tende a escurecer com mais facilidade, o que valoriza a produção de regiões com clima mais estável. Além disso, o mês de janeiro registrou um excesso de oferta temporária, impulsionado pelas férias escolares e pela alta produção em estados como Bahia, Minas Gerais e São Paulo, reduzindo o valor pago ao produtor para abaixo do custo de produção.
Outro fator determinante é o custo com mão de obra e tecnologia. Diferentemente de commodities como soja e milho, a banana exige um processo quase totalmente manual, elevando significativamente os custos operacionais da atividade.
Para garantir a qualidade da banana nanica que chega ao consumidor, os produtores adotam um manejo minucioso. No campo, os cachos são protegidos com plásticos especiais com repelentes, prevenindo o ataque de insetos e preservando o visual da fruta. A colheita delicada exige o uso de colchões estofados para evitar impactos durante o transporte até a esteira de processamento. Já no pós-colheita, as bananas passam por inspeção individual, limpeza em solução específica e armazenamento em câmaras frias com gás etileno, permitindo um amadurecimento controlado.
Em Santa Helena de Goiás, a fazenda do casal Ivo e Claudirene exemplifica a escala da atividade na região. São 180 mil pés de banana distribuídos em 92 hectares, com produtividade média de 46 toneladas por hectare, totalizando cerca de 4.200 toneladas por ano. No entanto, mesmo com o preço variando entre R$ 4,00 e R$ 5,00 no varejo, o valor recebido pelo produtor não cobre os custos de manutenção da lavoura, evidenciando o desafio financeiro da bananicultura em Goiás.